O corpo de Selma foi velado no Clube Vassourinhas de Olinda e seguiu em cortejo para o sepultamento em Guadalupe. Moradores da região saíram de suas casas para dar adeus ao ícone da cultura popular pernambucana. Os netos carregaram o caixão enquanto a multidão entoava as músicas, incluindo "A Rolinha", seu maior sucesso. Uma das características mais marcantes da artista, a risada, é repetida por fãs durante a cerimônia.
O coquista Mestre Galo Preto, Patrimônio Vivo de Pernambuco, se despediu com versos inéditos. "Hoje é o Dia das Mães. Selma era mãe também. Mas um chamado de Deus, está partindo para o além. Nossa rainha do coco baixa hoje a sepultura pois foi uma grande perda para toda nossa cultura", recitou.
Selma do Coco
Nascida em 1929, em Vitória de Santo Antão, Selma começou a carreira artística nos anos 1990. A cantora se mudou para o Recife aos dez anos e morou em Olinda posteriormente, onde vendia tapioca. O início da trajetória teve relação com o Manguebeat, sobretudo Chico Science. Em 1996, ela se apresentou, pela primeira vez para grande público, no palco do festival Abril Pro Rock.
A consagração veio com o hit "A rolinha", sucesso nos carnavais do final dos anos 1990. O primeiro disco, "Minha história", saiu em 1998. Nas letras, a cantora faz questão de reafirmar suas origens. "Eu moro em Olinda, canto coco há muitos anos, em todo canto, que beleza!".
O sucesso de Selma do Coco serviu de inspiração para o minidocumentário "Som da Rua", lançado em 1997 por Roberto Berliner. No filme, Selma fala sobre as influências e origens do coco. Ganhou Menção Especial do Juri no Mostra Internacional do Filme Etnográfico/RJ - 1998, além do prêmio Sol de Prata no Rio Cine, em 1997.
Dona Selma também foi atração do prestigiado festival de jazz de New Orleans, nos EUA. Ela representou o Brasil na edição de 2001, ao lado de nomes como Hermeto Pascoal, Chico César, Cascabulho e o Maracatu Nação Pernambuco.
Em 2008, a cantora foi agraciada com o título de Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco, um reconhecimento pelo trabalho desempenhado no âmbito da cultura pernambucana. Em agosto de 2010, foi homenageada pelo Ministério da Cultura e pelas comemorações dos 22 anos da Fundação Palmares, como uma das divas da cultura negra brasileira (Afro-brasileira), na área do segmento artístico, perdendo apenas, em votação online, para Chica Xavier, atriz consagrada e estrela global.
Comentários
Postar um comentário