José Maria Tomazela, com informações de agências internacionais,
O Estado de S.Paulo
Setenta e cinco presos ligados ao
Primeiro Comando da Capital (PCC) fugiram neste domingo, 19, da Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero, no
Paraguai, próximo à fronteira com o Brasil. Um túnel foi encontrado no local, embora o governo acredite que parte dos criminosos tenha escapado pela porta da frente com a cumplicidade de funcionários do presídio.
Detentos construíram túnel no presídio de Juan Caballero.
Foto: Marciano Candia/AP
O Ministério da Justiça do Brasil afirmou neste domingo que o grupo de fugitivos era composto por 40 brasileiros e 35 paraguaios. Em entrevista coletiva, a ministra da Justiça do país, Cecilia Pérez, ressaltou que o ministério denunciou em dezembro a existência de um plano de "fuga ou resgate" do PCC, pelo qual agentes penitenciários receberiam US$ 80 mil pela liberdade de líderes da facção. O efetivo policial foi reforçado nos presídios, mas não foi possível conter a fuga. A ministra considerou o caso "extremamente grave e sem precedentes" e colocou o cargo à disposição do presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez.
Penitenciária de Juan Caballero fica próxima à fronteira com o Mato Grosso do Sul.
Foto: Marciano Candia/AP
O ministro do Interior do país, Euclides Acevedo, anunciou alerta máximo de segurança. Ele afirmou que é possível que alguns dos presos já tenham escapado para o Brasil. Outros ainda podem estar no país. A maioria dos fugitivos é altamente perigosa, disse o ministro. "Agora, o principal objetivo é recapturá-los e disponibilizá-los ao Ministério Público", afirmou.
Nas redes sociais, o ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro diz que medidas estão sendo adotadas para evitar que os criminosos retornem ao Brasil.
"Estamos trabalhando junto com as forças estaduais para impedir a reentrada no Brasil dos criminosos que fugiram de prisão do Paraguai. Se voltarem ao Brasil, ganham passagem só de ida para presídio federal. Estamos à disposição também para ajudar o Paraguai na recaptura desses criminosos. O Paraguai tem sido um grande parceiro na luta contra o crime."
A Polícia de
Ponta Porã (MS), na fronteira do Brasil com o Paraguai, encontrou três veículos queimados na BR-463, próximo ao distrito de Sanga Puitã, do lado brasileiro da linha internacional que separa os dois países. Como o achado se deu logo após a fuga , o secretário da Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antonio Carlos Videira, também acredita que parte dos criminosos fugiu para o Brasil.
Ele disse que 200 policiais de várias forças foram deslocados para a região. “São homens da Polícia Rodoviária Estadual, do Departamento de Operações de Fronteira, além de equipes do Bope, Choque e Garra da capital (Campo Grande), com apoio de helicóptero nosso. Vamos fechar não só a fronteira, mas também as divisas com os Estados de São Paulo, Paraná e Goiás, pois já temos a informação de que muitos dos fugitivos são brasileiros de fora do nosso Estado”, disse.
Três caminhonetes foram incendiadas no lado brasileiro da fronteira com o Paraguai, em Ponta Porã, após a fuga de presos do PCC de presídio de Pedro Juan Caballero
Foto: Sejusp MS/Divulgação
O secretário informou ter feito contato com a Polícia Rodoviária Federal (
PRF), com as secretarias desses Estados e com a Guarda Nacional do Paraguai para ações conjuntas.
“Nossa inteligência está em contato ininterrupto com a polícia do Paraguai para troca de informações e, se necessário, de documentos. Pode haver casos de presos de lá que não tenham mandado de prisão aqui. Vamos dar apoio incondicional a eles nesse caso, pois interessa à nossa segurança”, disse. Segundo o secretário, as seguranças de terminais rodoviários, aeroportos e postos de fiscalização foram colocadas em alerta.
A ministra da Justiça do Paraguai, Cecilia Pérez, disse que alertou sobre plano de fuga do PCC em dezembro e colocou seu cargo à disposição.
Foto: Nathalia Aguilar/EFE
Fuga pode ter tido apoio de agentes
Vista aérea da Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero,
na fronteira do Paraguai com o Brasil
Foto: Reprodução/Google Maps
À rede de televisão Telefuturo, o ministro do Interior disse considerar a hipótese de que os detentos saíram pelos portões principais da prisão e que tiveram o apoio dos agentes. Ainda segundo ele, o diretor da prisão, no departamento de Amambay, está de férias.
Acevedo afirmou também que está sendo investigada a possibilidade de que o túnel tenha sido construído 'de fachada' para esconder a suposta cumplicidade dos funcionários.
A Polícia Nacional já iniciou uma operação de busca dos fugitivos na área de Pedro Juan Caballero, cidade localizada na fronteira com o Brasil e que é um dos centros de operações do PCC no país vizinho.
Comentários
Postar um comentário