A PREF TEM TRABALHO EM TODO LUGAR
A dor de cabeça é uma queixa muito comum e, na maioria das vezes, está associada a fatores como estresse, noites mal dormidas, desidratação e tensão muscular. No entanto, em alguns casos, a cefaleia pode ser um sinal de que a saúde ocular está precisando de atenção.
Segundo a oftalmologista Ana Carolina Collier, do Instituto de Olhos do Recife (IOR), a dor de cabeça relacionada a problemas oculares apresenta características específicas. “Geralmente, o paciente percebe o desconforto ao final do dia, quando está realizando algum tipo de esforço visual, como ler por muito tempo ou passar várias horas em frente às telas”, afirma.
Ainda de acordo com a oftalmologista, as crianças são um grupo que merece atenção especial. “Muitas vezes, as crianças não conseguem descrever a dor de cabeça com precisão. Já aquela dor que a criança, ou qualquer pessoa, sente logo ao acordar, costuma ter menor probabilidade de estar relacionada a um problema visual”, explica.
O Dia Nacional de Combate à Cefaleia, lembrado em 19 de maio, busca alertar sobre o tema e também relembrar que alterações no grau dos óculos, dificuldade para enxergar de perto ou de longe, esforço excessivo para focar e até doenças oculares mais sérias podem provocar desconforto visual e desencadear dores de cabeça frequentes.
Quando a dor de cabeça pode indicar um problema na visão?
A suspeita aumenta quando a cefaleia surge após longos períodos de leitura, uso de computador ou celular, ou quando vem acompanhada de sintomas como visão embaçada, ardor ou lacrimejamento nos olhos, sensação de peso ao redor dos olhos, dificuldade para focar, sensibilidade à luz, tontura ou náusea.
“Entre os principais problemas oculares que provocam dor de cabeça estão os erros refrativos, principalmente astigmatismo, hipermetropia e miopia não corrigidos”, afirma Ana Carolina Collier.
Segundo a especialista, outra causa frequente é a insuficiência de convergência. “Após muito tempo de leitura ou de exposição às telas, a pessoa pode apresentar uma espécie de fraqueza muscular. Nesses casos, a musculatura dos olhos não consegue manter o foco adequadamente, e o paciente pode precisar realizar exercícios para melhorar esse tipo de dor de cabeça.”
O uso de óculos é suficiente?
A oftalmologista orienta que, quando a dor de cabeça tem como origem erros refrativos, a correção com óculos prescritos por um especialista costuma ser suficiente para aliviar os sintomas.
No caso da insuficiência de convergência, além do uso de óculos, quando necessário, o tratamento pode incluir exercícios ortópticos realizados no consultório e em casa, com o objetivo de treinar a coordenação entre os olhos. Um dos exercícios mais conhecidos é o “push-up com lápis”, no qual o paciente fixa o olhar na ponta de um lápis e o aproxima lentamente do nariz, tentando manter a imagem única pelo maior tempo possível. Também podem ser utilizados cartões com estímulos visuais e outros exercícios específicos prescritos pelo oftalmologista. Caso a cefaleia esteja relacionada a outras condições, como glaucoma, olho seco, inflamações oculares ou enxaqueca, será necessário um tratamento específico para cada situação.
O que o paciente não deve fazer?
Segundo a especialista, ao perceber dores de cabeça frequentes associadas a alterações visuais, o ideal é evitar a automedicação recorrente. Analgésicos podem aliviar temporariamente o sintoma, mas não resolvem a causa do problema. O mais importante é investigar a origem da dor e iniciar o tratamento adequado. A dor de cabeça persistente nunca deve ser ignorada, especialmente quando acompanhada de alterações na visão. Em muitos casos, o diagnóstico precoce é fundamental para preservar a saúde ocular e evitar complicações mais graves.
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