PESQUISA VERITÁ: Raquel Lyra e João Campos empatam e acirram disputa pelo Governo de Pernambuco
Levantamento do Instituto Veritá mostra polarização consolidada e aponta interior como campo decisivo da eleição
A corrida pelo Governo de Pernambuco começa a ganhar contornos claros de polarização. Pesquisa do Instituto Veritá, divulgada nesta segunda-feira (6), mostra a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife João Campos (PSB) rigorosamente empatados com 35,4% das intenções de voto cada.
O levantamento foi realizado entre os dias 24 e 30 de março, ouvindo 2.010 eleitores em Pernambuco, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Cenário estimulado
Além dos dois líderes, a pesquisa apresenta os seguintes números:
- Anderson Ferreira (PL): 5,3%
- Ivan Moraes (PSOL): 3,5%
- Gilson Machado (PL): 3,2%
- Eduardo Moura (Novo): 2,5%
- Alfredo Gomes (Rede): 0,2%
- Brancos/Nulos: 5,1%
- Não sabe: 9,3%
Polarização antecipada
O empate entre Raquel e João não é apenas numérico — ele confirma uma tendência política que já vinha sendo desenhada nos bastidores: a disputa deve se concentrar entre dois polos bem definidos.
De um lado, Raquel Lyra representa a estrutura do governo estadual, com capilaridade no interior e o peso da máquina pública. Do outro, João Campos surge com forte recall eleitoral, alta aprovação na capital e o legado político do PSB em Pernambuco.
Filho do ex-governador Eduardo Campos, João carrega também o simbolismo de continuidade de um grupo que marcou época no estado.
Interior será decisivo
Se o Recife garante a João uma base sólida, a eleição deve ser definida fora da capital.
O Agreste, Sertão e Zona da Mata aparecem como regiões estratégicas para o desfecho da disputa.
Nesse cenário:
- Raquel tende a largar com vantagem natural no interior
- João precisa ampliar sua presença fora da Região Metropolitana
A montagem de palanques regionais e alianças locais será determinante.
Jogo das alianças já começou
O empate técnico também aumenta a pressão por composições políticas robustas.
Nos bastidores, cresce a movimentação de lideranças como Eduardo da Fonte, que podem influenciar diretamente na formação das chapas e no desempenho eleitoral no interior.
A escolha de candidatos ao Senado e vice-governador (João Campos já escolheu os dele) terá peso estratégico na consolidação do projeto de Raquel Lyra.
Um retrato inicial — e ainda aberto
Apesar da força do empate, o cenário ainda está longe de ser definitivo.
Com 9,3% dos eleitores indecisos e mais de 5% entre brancos e nulos, há espaço para mudanças significativas até 2026. Além disso, o Instituto Veritá não figura entre os mais tradicionais do estado, o que exige cautela e acompanhamento de novos levantamentos.
A pesquisa revela mais do que números: mostra que Pernambuco caminha para uma eleição altamente competitiva, sem favorito claro e com tendência de disputa voto a voto.
No fim das contas, a equação parece simples — mas nada fácil de executar:
Quem conseguir crescer no interior sem perder força na capital, estará mais perto do Palácio do Campo das Princesas.

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