Após veto de Bolsonaro, ações de estatais precisarão de aprovação do Planalto

Por Brasil Econômico - com informações da Agência O Globo

Ação publicitária do Banco do Brasil, que representava jovens negros, trans e tatuados em cenas do cotidiano, desagradou a Bolsonaro e sofreu veto, o que desencadeou na nova determinação do governo; assista a propaganda vetada

Reprodução
Peças publicitárias de empresas estatais precisarão de aprovação da 
Secom após veto de Bolsonaro a comercial do BB

Agências de publicidade contratadas pelo governo federal foram informadas que, a partir de agora, todas as peças deverão ser submetidas à avaliação da Secretaria de Comunicação Social (Secom), comandada pelo ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz. Na última quinta-feira (25), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) determinou que o Banco do Brasil (BB) retirasse de circulação uma campanha publicitária cujo mote era a diversidade.
Até então, somente os comerciais institucionais, que visam reforçar uma determinada marca, costumavam passar pela Comunicação do Palácio do Planalto. A decisão de submeter a aprovação de ações à aprovação da Secom reforça o intervencionismo do governo na comunicação de estatais e, consequentemente, legitimam o poder de veto a Bolsonaro.

A intervenção do presidente a ação gerou reação de representantes de minorias , que dizem acreditar que o veto revela "uma questão psicológica a ser estudada" no presidente e mostram "o quanto ele é equivocado".

Na propaganda do Banco do Brasil , jovens negros, tatuados, trans e de diferentes estilos aparecem em cenas do cotidiano, o que desagradou ao presidente da República. Todos os jovens que aparecem na ação sequer falam, apenas contracenam com a câmera. "É impossível entender a cabeça de um presidente que se incomoda com a liberdade alheia, com a diversidade. Há uma questão psicológica a ser estudada", defende o ativista gay Fernando Dantas, que trabalha em uma ONG que dá abrigo a homens e mulheres transexuais em situação de vulnerabilidade.
O veto, no entanto, foi endossado pelo presidente do BB, Rubem Novaes, que disse ao colunista de O Globo , Lauro Jardim, que concorda. A crise levou à demissão do diretor de Comunicação e Marketing do BB, Delano Valentim. Segundo o presidente do Banco do Brasil , a saída do executivo não gerou mal estar. "A saída do diretor é uma decisão de consenso, inclusive com aceitação do próprio", disse o presidente do banco, que complementou que "O presidente Bolsonaro e eu concordamos que o filme deveria ser recolhido".

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