Bolsonaro é internado com dores abdominais e cancela reunião entre Poderes
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Desde a semana passada, o presidente vinha se queixando de uma crise de soluços; o incômodo ficou claro na live semanal da última quinta-feira
André Borges, Sofia Aguiar e Cássia Miranda, O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro deu entrada no Hospital das Forças Armadas na madrugada desta quarta-feira, 14, com dores abdominais, e faz uma série de exames. O presidente já se encontra bem e sem dores. A informação foi confirmada pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria.
Em função dos problemas médicos de Bolsonaro, foi cancelada a reunião que estava marcada entre os presidentes dos Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo prevista para esta quarta-feira, 14. O encontro com Arthur Lira (Câmara), Rodrigo Pacheco (Senado) e Luiz Fux (Supremo Tribunal Federal) será reagendado.
Presidente Jair Bolsonaro. Foto: Adriano Machado/Reuters
“O Presidente da República, Jair Bolsonaro, por orientação de sua equipe médica, deu entrada no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília, nesta quarta-feira (14) para a realização de exames para investigar a causa dos soluços. Por orientação médica, o presidente ficará sob observação, no período de 24 a 48 horas, não necessariamente no hospital. Ele está animado e passa bem”, informou a Secretaria Especial de Comunicação Social, por meio de nota.
Desde a semana passada, o presidente vinha se queixando de uma crise de soluços. O incômodo ficou claro na live semanal da última quinta-feira. Na ocasião, Bolsonaro chegou a pedir desculpas logo no início da transmissão. "Peço desculpas. Estou há uma semana com soluços, talvez eu não consiga me expressar adequadamente nesta live", explicou.
Bolsonaro ficará sob observação, no período de 24 a 48 horas, não necessariamente no hospital. Pode ser que o período de descanso e observação seja feito em casa. Nas últimas semanas, Bolsonaro vinha apresentando soluços constantes.
As primeiras informações dão conta de que há possibilidade de o presidente vir a passar por um novo procedimento cirúrgico, o que já estava previsto e que decorre da facada que Bolsonaro levou em 2018, durante a campanha eleitoral. Esse procedimento, no entanto, ainda não está confirmado.
O encontro que Bolsonaro teria hoje com os líderes dos Poderes tinha a missão de sinalizar um “acordo de paz” entre o Executivo, Legislativo e Judiciário, depois de dias turbulentos causados por sucessivas declarações do presidente, que atacou membros da CPI da Covid e o ministro do STF Luís Roberto Barroso.
Todos os compromissos oficiais, incluindo os previstos para esta quinta-feira, 15, estão cancelados. Há expectativa de que um boletim médico seja divulgado em breve.
Soluços persistentes
Segundo Bolsonaro afirmou em entrevista à rádio Guaíba, na quarta-feira, 7, a origem dos soluços teria sido causada por remédios tomados por ele após um implante dentário. "Estou com soluço há cinco dias. Fiz uma cirurgia para implante dentário no sábado. Talvez em função dos remédios que eu estou tomando, estou 24h por dia com soluço", disse.
Um dos primeiros registros do presidente durante crise de soluço foi feito no último dia 5, durante a assinatura de prorrogação do auxílio emergencial. Ao lado do presidente do Senado e dos ministros Luiz Ramos (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia), Bolsonaro engasga por causa da condição em vários momentos da fala.
Um dia após a live em que pediu desculpas pelos soluços, Bolsonaro voltou a ter dificuldade para discursar em Caxias do Sul, no dia 9 de julho, quando participou inauguração da 1ª Feira Brasileira do Grafeno. Nos primeiros dois minutos da fala, o presidente soluçou ao menos sete vezes.
Horas mais tarde, em um jantar com empresários num restaurante na cidade de Bento Gonçalves, Bolsonaro se sentiu mal e precisou abandonar o encontro.
Na última segunda-feira, 12, em conversa com apoiadores nas saída do Palácio do Alvorada, o presidente soluçou seis vezes apenas no primeiro minuto de fala sobre os protestos em Cuba.
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