Ministério da Saúde não tem recursos para combate à pandemia em 2021, diz TCU
(Photo by Fabio Teixeira/Anadolu Agency via Getty Images)
- Governo Jair Bolsonaro não reservou dinheiro no Orçamento para combate à pandemia em 2021
- Até março, Ministério da Saúde não realizou nenhum repasse a estados e municípios para lidar com a crise sanitária
- Informações constam de relatório do TCU que será analisado pela CPI da Covid no Senado
O governo de Jair Bolsonaro não reservou
dinheiro para o Ministério da Saúde no Orçamento combater a pandemia do coronavírus em 2021 e, até o mês de março, não tinha realizado qualquer repasse para que estados e municípios lidem com a crise sanitária.
Leia também
De acordo com os fiscais do tribunal, “não constam dotações para as despesas de combate à pandemia” na lei orçamentária de 2021 preparada pelo governo.
"O Ministério da Saúde dispõe de R$ 20,05 bilhões para aplicação direta [em 2021], porém, R$ 19,9 bilhões estão reservados para despesas relativas à vacinação da população", diz o TCU no relatório. Sobrariam R$ 150 milhões para todo o resto. "Tal situação mostra-se preocupante, ainda mais nesse cenário de recrudescimento da contaminação e mortalidade."
Desses R$ 20,05 bilhões, a maior parte é sobra dos R$ 24,5 bilhões que o país dispunha em 2020 para ingressar no consórcio Covax Facility, da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirma o relatório.
“Contudo, foram pagos apenas R$ 2,22 bilhões desse valor em 2020, tendo sido necessária a edição do Decreto 10.595/2021, que reabriu o crédito extraordinário no valor de R$ 19,9 bilhões, permitindo a utilização desse saldo em 2021", diz o TCU.
Governo Bolsonaro também não reservou recursos para a compra de vacinas em 2021
(Photo by Buda Mendes/Getty Images)
Além desse dinheiro, o governo distribuiu outros R$ 20,4 bilhões entre os outros ministérios, somando R$ 40.5 bilhões, o equivalente a 6,7% dos R$ 604,7 bilhões disponíveis no ano passado. O recurso foi destinado “principalmente às consequências econômicas da crise”, como auxílio emergencial (R$ 322 bilhões), Benefício Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda (R$ 51,55 bilhões) e auxílio a estados, municípios e DF (R$ 79,19 bilhões).
Em uma ação encaminhada à Procuradoria-Geral da República, o Instituto de Direito Sanitário Aplicado e a Associação Brasileira de Economia da Saúde apontaram a falta de previsão de recursos no Orçamento 2021 aprovado no Congresso para o enfrentamento da covid-19 e para a compra de vacinas.
“A peça orçamentária de 2021 literalmente ignorou a persistência da pandemia, negando a alocação de qualquer recurso para a compra de vacinas e para o enfrentamento da Covid no SUS, afigurando-se como inadmissível a ausência de um único centavo sequer atribuída para a compra de vacinas”, diz o documento.
Sem repasse a estados e municípios
Em 2021, estados e municípios - alvos da tropa de choque do governo na CPI da Covid - não haviam recebido nenhum repasse do governo federal para combater a crise sanitária, dizem os fiscais do TCU.
"Em relação à execução em 2021, observa-se que não foram destinadas, até o presente momento, dotações orçamentárias para transferência aos estados e municípios", afirma o relatório.
Recursos para a pandemia em 2021
O levantamento foi feito pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e faz parte do estudo “Um país sufocado - Balanço do Orçamento Geral da União 2020”.
O Inesc chama a atenção também que apenas 40,1% do valor planejado no orçamento do governo federal da Saúde, para combater a pandemia da covid-19, tinham sido executados em 2020.
Comentários
Postar um comentário