Conmebol anunciou na segunda (31) que o Brasil seria a sede após desistência de Argentina e Colômbia. Especialistas em saúde criticaram decisão em meio à pandemia.
Por Guilherme Mazui, G1 — Brasília
O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira (1º) que, no que depender dele e de ministros de seu governo, inclusive o da pasta da Saúde, o Brasil sediará a Copa América de futebol neste ano.
Horas depois, ainda na segunda, o ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, afirmou que ainda não havia confirmação da realização da Copa América no Brasil. Nesta terça, Bolsonaro disse que a decisão está tomada.
"No que depender de mim, de todos os ministros, inclusive o da Saúde, já está acertado, haverá [Copa América no Brasil]. O protocolo é o mesmo da Libertadores, é o mesmo da Sul-Americana e também da Libertadores", disse Bolsonaro a apoiadores.
O presidente disse que foi procurado pela CBF na segunda para tratar do assunto e que conversou com "todos os ministros interessados". "Da nossa parte, positivo", completou ele.
Mais tarde, em evento no Palácio do Planalto, Bolsonaro voltou a falar sobre a competição e disse que, "no que depender do governo federal, será realizada a Copa América no Brasil."
Críticas
Na segunda-feira (31), a ocupação de leitos de UTI Covid na rede pública estava em 76% no Espírito Santo. Em Alagoas, 92%. Em Pernambuco, 98%.
Senadores da CPI da Covid criticaram a realização da Copa América no Brasil. O relator, Renan Calheiros (MDB-AL), classificou a decisão de "escárnio" e chamou o torneio de "campeonato da morte".
O PT e o PSB pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) que suspenda as tratativas do governo brasileiro com a Conmebol e que impeça a realização da competição no Brasil. Nesta terça também, o ministro do STF Ricardo Lewandowski pediu informações ao governo sobre as negociações.
Auxílio emergencial
Bolsonaro ainda falou sobre a possibilidade de prorrogação do auxílio emergencial, pago a trabalhadores informais que perderam renda devido aos impactos da pandemia na economia.
O presidente citou o impacto bilionário do pagamento do auxílio nas contas públicas e disse que, quem quiser mais parcelas do auxílio, deve "ir no banco e fazer um empréstimo."
"Nós gastamos em 2020 com auxílio emergencial o equivalente a 10 anos de Bolsa Família. E tem gente criticando, falando que quer mais. Como é endividamento por parte do governo, quem quer mais é só ir no banco e fazer empréstimo", disse Bolsonaro.
"Sabemos da situação difícil que se encontra a população, que perderam empregos que não foi por culpa do presidente, porque eu não mandei ninguém ficar em casa, ou melhor, não obriguei, não fechei comércio, em consequência não destruí emprego", completou o presidente.
Em 2020, o governo gastou R$ 293 bilhões com o pagamento das parcelas do auxílio emergencial. No ano passado, foram pagas cinco parcelas de R$ 600, entre abril e agosto de 2020, e quatro de R$ 300, de setembro a dezembro do ano passado.
Neste ano, o orçamento do auxílio está limitado a R$ 44 bilhões. Estão previstas quatro parcelas médias de R$ 250 (os valores oscilam de R$ 175 a R$ 375 de acordo com a composição da família).
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