Medida foi aprovada por 240 votos a 60 na Câmara e 39 a 1 no Senado. Pelo texto, governo pode abater incentivos fiscais e investimentos no PAC
O Congresso Nacional aprovou, na madrugada desta quinta-feira (4), o Projeto de Lei do Congresso (PLN
36/14), que altera a forma de cálculo do resultado primário do governo brasileiro, permitindo que o Executivo possa abater do cálculo as desonerações fiscais concedidas pelo governo e os investimentos Programa de Aceleração do Crescimento.
A medida foi aprovada por 240 votos a 60 na Câmara e por 39 votos a 1 no Senado e agora vai a sanção presidencial. Foram votados aindaquatro destaques de bancada apresentados pela oposição.
O texto votado para o PLN 36 é um substitutivo de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR), aprovado pela Comissão Mista de Orçamento. Pelo texto, o governo não terá mais o limite de R$ 67 bilhões para abater despesas no cálculo do resultado fiscal, fixado anteriormente em R$ 116 bilhões para 2014. O abatimento das despesas já era previsto por uma regra em efeito na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Estímulos à produção
Entre janeiro e setembro deste ano, o governo federal abriu mão de arrecadar R$ 75 bilhões por causa das desonerações tributárias, concedidas para estimular o mercado interno e o setor produtivo do País, como a folha de pagamento, cesta básica e ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins – Importação.
Esses recursos podem ser considerados como um investimento do governo para aumentar a competitividade brasileira. Apenas em setembro, a renúncia fiscal foi de R$ 8,39 bilhões sobre a arrecadação do mês, contra R$ 6,8 bilhões em igual mês do ano passado.
A votação
A decisão sobre a nova fórmula de cálculo da meta fiscal foi tomada após uma votação que começou às 10h da manhã de quarta-feira e atravessou a madrugada de quinta-feira (4), período em que foram aprovados também dois vetos que trancavam a pauta, seguido da aprovação do projeto que libera R$ 240 milhões para o Aerus, instituto de seguridade social que reúne aposentados e pensionistas das extintas empresas aéreas Varig, Transbrasil e Cruzeiro.
Os recursos são destinando ao cumprimento de execução provisória de ação movida contra a União pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas e pela Associação dos Funcionários Aposentados e Pensionistas da Transbrasil.
O projeto segue agora a sanção presidencial.
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