Indicados por Lula, Flávio Dino (à direita) vai ter uma vaga no STF e Paulo Gonet (à esquerda) vai chefiar a PGR Foto: Divulgação
Ministro da Justiça teve segunda pior taxa de aprovação no Senado na comparação com os atuais ministros do Supremo; na sabatina, Dino foi cobrado por declarações contra adversários do governo, mas preferiu evitar confrontar os opositores
Por Gabriel de Sousa
Estadão
O futuro ministro do STF teve taxa de 60% de votos favoráveis, a segunda mais baixa na comparação com as votações dos outros dez ministros que estão na Corte. Até então,
André Mendonça tinha a pior taxa, com aprovação de 59% do senadores presentes no plenário.
O subprocurador Paulo Gonet também foi aprovado pelo Senado para chefiar a
Procuradoria-Geral da República (PGR). Foram votos 65 a favor e 11 contrários. Ele vai ocupar a vaga deixada pelo ex-PGR Augusto Aras em setembro, e terá um mandato de dois anos, podendo ser reconduzido. Na primeira vez que teve seu nome aprovado no Senado, em 2019, Aras recebeu 68 votos a favor e 10 contra.
Antes da votação no plenário, a indicação do nome de Dino para o STF e também do subprocurador Paulo Gonet para assumir o comando do Ministério Público Federal passou por sabatina que durou mais de 10 horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. No colegiado,
o placar para Dino foi apertado: 17 a favor e 10 contra.
Na sabatina, Dino foi cobrado pelos senadores de oposição por declarações e atos durante sua gestão no Ministério da Justiça. O ministro evitou confrontos e se conteve nas respostas ao ponto de opositores comentarem que ali estava um “outro Dino”.
“Não existe ditadura judicial no Brasil. Tanto é que o senhor (Magno Malta) está aqui como senador falando o que o senhor está falando”, frisou durante a fase de indagações da sabatina.
Assumindo aos 55 anos a vaga da ministra aposentada
Rosa Weber, Dino é o primeiro senador a se tornar ministro do STF em três décadas. O último a conquistar esse feito foi Maurício Corrêa, que era parlamentar do
PSDB quando foi indicado pelo ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1994.
Novo PGR, Gonet é conhecido como conservador e teve indicação avaliada por Bolsonaro
O subprocurador Paulo Gonet assumirá a PGR por dois anos, podendo ser reconduzido ao cargo. Gonet é um constitucionalista tido por seu pares como conservador, religioso, ponderado e conciliador.
Por conta das suas tendências conservadoras, Gonet não enfrentou resistências no plenário. Essa não foi a primeira vez em que o seu nome foi ventilado para ocupar a PGR, já que a sua indicação também foi avaliada por Bolsonaro em 2019. O ex-presidente preferiu Augusto Aras, que deixou o cargo de procurador-geral em setembro deste ano.
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