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Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil: canetas emagrecedoras para crianças podem ser usadas, mas com critérios rígidos e acompanhamento médico

Especialistas alertam que medicamento não substitui mudança de hábitos na infância, mas que pode ajudar nesse processo

No próximo dia 3 de junho, é celebrado o Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, uma data que reforça o alerta sobre o crescimento do excesso de peso entre crianças e adolescentes no Brasil e no mundo.

 

Segundo dados divulgados pela World Obesity Federation, em 2020, cerca de 158 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos conviviam com excesso de peso, número que pode chegar a 254 milhões até 2030.

 

Em 2025, entre crianças de 5 a 10 anos acompanhadas pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), do Ministério da Saúde, 31% apresentaram sobrepeso, 9,7% foram classificadas com obesidade e 6% com obesidade grave. Já em relação aos adolescentes acompanhados, 35,4% apresentaram sobrepeso, 11,8% obesidade e 3,5% obesidade grave.

 

Concomitantemente, cresce também o debate sobre o uso das chamadas “canetas emagrecedoras” em pacientes pediátricos. Medicamentos como semaglutida e tirzepatida, inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, passaram a ser utilizados também no combate à obesidade, inclusive em adolescentes.

 

De acordo com o endocrinologista pediátrico Dr. Thiago Arruda, do Hospital Santa Joana Recife, Rede Américas, foi liberado recentemente pela Anvisa o uso da tirzepatida, conhecida comercialmente como Mounjaro, para crianças acima de 10 anos. Porém, a decisão conta com restrições. “Apesar de a gente saber que a tirzepatida ajuda muito na perda de peso e está sendo muito usada com esse benefício, a indicação e a liberação do Ministério da Saúde foram apenas para crianças acima de 10 anos com diabetes tipo 2”, explica.

 

O médico destaca ainda outro medicamento que já possui autorização para tratamento da obesidade em adolescentes acima dos 12 anos. “A semaglutida é liberada, sim, para obesidade em crianças e adolescentes acima dos 12 anos, com uma margem de segurança muito boa”, afirma.

 

Apesar dos benefícios relacionados à redução do peso corporal e à melhora metabólica, o especialista reforça que os medicamentos não estão livres de efeitos colaterais. Entre os sintomas mais comuns estão náuseas, vômitos e desconfortos gastrointestinais.

 

“Por ser uma medicação, como qualquer outra, ela tem riscos naturais, como alergia, hipersensibilidade e problemas no local da aplicação. Além disso, esse grupo de medicamentos costuma causar sintomas gastrointestinais. A criança pode ter enjoo, vômito, diarreia ou constipação. Ela mexe bastante nessa parte digestiva”, alerta Thiago Arruda.

 

Ainda assim, segundo o endocrinologista pediátrico, os benefícios podem superar os riscos em muitos casos, especialmente quando a obesidade já traz impactos importantes para a saúde da criança. “O risco-benefício costuma ser positivo, porque a perda de peso ajuda a diminuir a glicose, reduz o risco de pressão alta nessa idade e também o risco de doenças cardiovasculares na vida adulta. Então, em muitos casos, quando há indicação e acompanhamento médico, vale, sim, o uso”, pontua.

 

Todas as fichas podem ser colocadas nas canetas?

 

A obesidade, seja infantil ou adulta, é considerada uma doença multifatorial pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ou seja, não conta apenas com uma causa que leva ao seu desenvolvimento. Isso ocorre porque sua complexidade envolve fatores genéticos, metabólicos, comportamentais, ambientais e sociais.

 

Seguindo essa lógica, se a causa não é única, o tratamento também não pode ser restrito ao uso de uma substância ou a uma única mudança no estilo de vida. É o que reforça o especialista ao afirmar que as canetas não devem ser encaradas como solução isolada, principalmente em pacientes pediátricos.

 

“A obesidade precisa ser considerada e levada como uma doença crônica. O tratamento precisa ser completo, envolvendo médicos, pais, crianças e mudança de comportamento. O medicamento sozinho não faz milagre”, explica Thiago Arruda.

 

Segundo o Ministério da Saúde, o caminho mais seguro para tratar a obesidade infantil é alinhar alimentação saudável e prática de atividade física. Outras intervenções também podem ser necessárias, como apoio à saúde mental e uso medicamentoso. O especialista também ressalta que o tratamento medicamentoso não é o carro-chefe contra a obesidade infantil.

 

“Uma coisa muito importante é que a mudança no estilo de vida continua sendo a primeira opção de tratamento sempre. O medicamento está ali para ajudar, mas, na pediatria, ele não vai ser a primeira opção”, alerta Thiago. “A gente precisa mudar o estilo de vida dessa criança. Ela precisa se alimentar melhor, praticar exercício físico e contar com o apoio da família. A medicação entra como um tratamento adjuvante quando, mesmo com essas mudanças, não se consegue obter a perda de peso”, complementa.

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