BLOG DO JAIRO GOMES

Copa do Mundo e São João exigem atenção e cuidados com as pessoas neurodivergentes


Barulho intenso, fogos de artifício e aglomerações causam sensibilidade a esse público, desencadeando crises sensoriais. Psicopedagoga dá dicas do que fazer para amenizar o impacto

Com a chegada das festividades juninas e da Copa do Mundo, começa a preparação para uma intensa programação de celebrações, marcada por shows, fogueiras, fogos de artifício, transmissões de jogos e grandes aglomerações. Embora esses momentos sejam aguardados por muitas pessoas, eles podem representar um desafio para os neurodivergentes, especialmente aqueles com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições.

Em Pernambuco, as Leis Estaduais nº 15.736/2016 e nº 17.195/2021 proíbem a queima e a soltura de fogos de artifício com estampido em todo o estado. A medida tem como objetivo reduzir os impactos causados pelo barulho em pessoas com hipersensibilidade auditiva, crianças, idosos e animais. No entanto, o desrespeito à legislação ainda é observado em diversas comemorações, o que gera preocupação para muitas famílias.

A exposição a sons altos e repentinos, luzes intensas e ambientes movimentados pode provocar sobrecarga sensorial, gerando desconforto, ansiedade, irritabilidade e até crises emocionais. Segundo a psicopedagoga e diretora da clínica Nuno Desenvolvimento, Cinthia Cardoso, esses momentos podem ser extremamente angustiantes para os neurodivergentes com hipersensibilidade.

“O cérebro atípico apresenta uma alteração no processamento sensorial, o que significa que ele não filtra ou modula os sons da mesma maneira que a maioria das pessoas, fazendo com que escutem de forma muito mais alta e até dolorosa”, explica a especialista. Por isso, é importante que familiares, cuidadores e organizadores de eventos estejam atentos às necessidades desse público para garantir experiências mais seguras e inclusivas.  

Como identificar uma sobrecarga sensorial?

De acordo com a analista de comportamento, os sinais podem variar de pessoa para pessoa, mas alguns comportamentos costumam indicar que o ambiente está se tornando excessivamente estimulante. Entre eles estão cobrir os ouvidos constantemente; demonstrar irritação ou nervosismo sem motivo aparente; chorar ou se isolar; apresentar dificuldade para se comunicar; agitação intensa ou comportamento repetitivo; necessidade urgente de deixar o local. “Quando esses sinais aparecem, é importante agir rapidamente para reduzir os estímulos e oferecer um ambiente acolhedor”, orienta.

O que fazer nesses casos?

A diretora da clínica Nuno Desenvolvimento e também mãe atípica, Cinthia Cardoso, destaca algumas medidas que podem ser adotadas pelos familiares para amenizar o impacto com esses ruídos. “É preciso, primeiramente, conversar e explicar previamente o que está para acontecer e mostrar que está ali para passar segurança”, recomenda.

“Também é interessante identificar ou criar um espaço tranquilo com almofadas, iluminação suave e objetos confortáveis para onde a pessoa autista possa ir quando estiver sobrecarregada; além do uso de abafadores e fones, que são úteis em qualquer local”, finaliza Cinthia.

Além dos cuidados familiares, a inclusão deve ser uma responsabilidade coletiva, com medidas como adoção de fogos de artifício silenciosos, criação de espaços de acolhimento sensorial e a conscientização sobre as necessidades das pessoas neurodivergentes.

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