HOSPITAL FERNANDO ARAGÃO
Por Jairo Gomes
Quem visita o Moda Center em períodos de baixa movimentação costuma ouvir a mesma frase: "O comércio está acabando." Mas será que essa conclusão é verdadeira?
A resposta é mais complexa do que parece.
O Polo de Confecções do Agreste, formado por cidades como Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru, continua sendo um dos maiores centros produtores de vestuário do Brasil. O que mudou foi a forma como as pessoas compram.
Durante décadas, o comerciante dependia quase exclusivamente da presença física do cliente. Hoje, esse mesmo cliente pesquisa preços pelo celular, faz pedidos pelo WhatsApp, compra em marketplaces, acompanha lives de vendas e recebe as mercadorias em casa.
Isso não significa que o comércio físico perdeu sua importância. Significa apenas que ele deixou de ser o único canal de vendas.
O Moda Center ainda concentra milhares de boxes e recebe compradores de praticamente todo o país.
Como sempre aconteceu, existem dois grandes períodos de alta movimentação:
Entre esses dois picos, é natural que o fluxo diminua. O problema é que hoje essa redução fica mais evidente porque muitos consumidores não esperam mais a viagem ao centro de compras para fazer seus pedidos.
Eles compram antes.
Compram durante.
E continuam comprando depois, pela internet.
Antigamente, um lojista disputava clientes com o vizinho do corredor.
Hoje ele disputa espaço com:
Isso muda completamente a lógica do negócio.
O cliente que entra no Moda Center muitas vezes já pesquisou preços em cinco plataformas diferentes antes mesmo de viajar.
Outro fator importante é que o consumidor atual quer rapidez.
Quer atendimento imediato.
Quer receber fotos.
Quer vídeo da peça.
Quer pagamento facilitado.
Quer entrega rápida.
Quem oferece essa experiência conquista clientes mesmo estando a centenas de quilômetros de distância.
Em vez de enxergar a internet como inimiga, muitos confeccionistas do Polo passaram a utilizá-la como aliada.
Hoje é comum encontrar fabricantes que:
São empresas que não dependem exclusivamente do movimento da feira.
Talvez a pergunta mais importante já não seja:
"Por que existem corredores mais vazios?"
Mas sim:
"Quantas vendas aquele lojista fez hoje, somando a loja física e o ambiente digital?"
Porque muitas delas acontecem sem que o cliente sequer coloque os pés no Moda Center.
Assim como os orelhões deram lugar aos celulares, as locadoras foram substituídas pelo streaming, o comércio também está vivendo sua própria transformação.
Isso não significa o fim do varejo físico.
Significa que ele precisa evoluir.
O Moda Center continua sendo uma referência nacional do setor de confecções. Mas, para manter essa liderança, o desafio será cada vez mais integrar tradição e tecnologia, transformando cada box não apenas em um ponto de venda, mas em uma base para atender clientes do Brasil inteiro, presencialmente e no ambiente digital.
Afinal, as lojas podem parecer mais vazias em alguns dias, mas isso não quer dizer que as vendas desapareceram. Em muitos casos, elas apenas mudaram de endereço: saíram dos corredores e passaram para a tela do celular.
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