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Lojas vazias não significam comércio morto. O desafio do Moda Center é vender para um consumidor que mudou

Por Jairo Gomes

Quem visita o Moda Center em períodos de baixa movimentação costuma ouvir a mesma frase: "O comércio está acabando." Mas será que essa conclusão é verdadeira?

A resposta é mais complexa do que parece.

O Polo de Confecções do Agreste, formado por cidades como Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru, continua sendo um dos maiores centros produtores de vestuário do Brasil. O que mudou foi a forma como as pessoas compram.

Durante décadas, o comerciante dependia quase exclusivamente da presença física do cliente. Hoje, esse mesmo cliente pesquisa preços pelo celular, faz pedidos pelo WhatsApp, compra em marketplaces, acompanha lives de vendas e recebe as mercadorias em casa.

Isso não significa que o comércio físico perdeu sua importância. Significa apenas que ele deixou de ser o único canal de vendas.

O Moda Center continua forte, mas vive uma transformação

O Moda Center ainda concentra milhares de boxes e recebe compradores de praticamente todo o país.

Como sempre aconteceu, existem dois grandes períodos de alta movimentação:

  • o ciclo das festas juninas, quando o Nordeste aquece as vendas de roupas;
  • e a temporada natalina, que movimenta o varejo em todo o Brasil.

Entre esses dois picos, é natural que o fluxo diminua. O problema é que hoje essa redução fica mais evidente porque muitos consumidores não esperam mais a viagem ao centro de compras para fazer seus pedidos.

Eles compram antes.

Compram durante.

E continuam comprando depois, pela internet.

A concorrência já não está apenas no box ao lado

Antigamente, um lojista disputava clientes com o vizinho do corredor.

Hoje ele disputa espaço com:

  • Mercado Livre;
  • Shopee;
  • Amazon;
  • TikTok Shop;
  • Instagram;
  • WhatsApp Business;
  • e até fabricantes que vendem diretamente ao consumidor.

Isso muda completamente a lógica do negócio.

O cliente que entra no Moda Center muitas vezes já pesquisou preços em cinco plataformas diferentes antes mesmo de viajar.

O consumidor ficou mais exigente

Outro fator importante é que o consumidor atual quer rapidez.

Quer atendimento imediato.

Quer receber fotos.

Quer vídeo da peça.

Quer pagamento facilitado.

Quer entrega rápida.

Quem oferece essa experiência conquista clientes mesmo estando a centenas de quilômetros de distância.

Oportunidade para quem se adapta

Em vez de enxergar a internet como inimiga, muitos confeccionistas do Polo passaram a utilizá-la como aliada.

Hoje é comum encontrar fabricantes que:

  • vendem presencialmente no Moda Center;
  • atendem revendedores pelo WhatsApp;
  • fazem transmissões ao vivo mostrando novidades;
  • anunciam nas redes sociais;
  • utilizam marketplaces para ampliar o alcance nacional.

São empresas que não dependem exclusivamente do movimento da feira.

O desafio não é atrair apenas mais compradores. É vender todos os dias.

Talvez a pergunta mais importante já não seja:

"Por que existem corredores mais vazios?"

Mas sim:

"Quantas vendas aquele lojista fez hoje, somando a loja física e o ambiente digital?"

Porque muitas delas acontecem sem que o cliente sequer coloque os pés no Moda Center.

O futuro já começou

Assim como os orelhões deram lugar aos celulares, as locadoras foram substituídas pelo streaming, o comércio também está vivendo sua própria transformação.

Isso não significa o fim do varejo físico.

Significa que ele precisa evoluir.

O Moda Center continua sendo uma referência nacional do setor de confecções. Mas, para manter essa liderança, o desafio será cada vez mais integrar tradição e tecnologia, transformando cada box não apenas em um ponto de venda, mas em uma base para atender clientes do Brasil inteiro, presencialmente e no ambiente digital.

Afinal, as lojas podem parecer mais vazias em alguns dias, mas isso não quer dizer que as vendas desapareceram. Em muitos casos, elas apenas mudaram de endereço: saíram dos corredores e passaram para a tela do celular.

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