REFIS PRORROGADO
Hoje, domingo, 6 de setembro, ao passar pelo sinal ao lado da Central de Feiras, em Santa Cruz do Capibaribe, vi Carlinhos da Cohab entregando santinhos. Uma cena simples, corriqueira para quem está em campanha. Mas, para mim, carregada de significado.
Naquele instante, vieram à memória as lembranças de 14 anos atrás, quando ele dava os primeiros passos na vida pública, disputando uma vaga na Câmara de Vereadores. Era outro tempo, outras circunstâncias, mas a cena era muito parecida: Carlinhos no meio do povo, conversando, ouvindo, pedindo uma oportunidade.
De lá para cá, o caminho não foi fácil. Foram muitas dificuldades, desafios, críticas, derrotas e vitórias. Como em toda trajetória política de verdade, houve aprendizados, tropeços e recomeços. A política mudou, os espaços mudaram, as responsabilidades cresceram. Mas uma coisa parece permanecer intacta: a essência.
Carlinhos sempre teve um jeito direto, popular, de falar e de agir. Defende os que mais precisam, sem transformar o mandato em instrumento de favorecimento pessoal. Enfrenta os poderosos, sejam eles ricos, influentes ou bem relacionados, com a mesma coragem e, pasmem, com o mesmo sorriso no rosto.
Agora, a dimensão do desafio é outra. O projeto é Brasília, onde as decisões têm outro peso, o alcance é nacional e as demandas, muitas vezes, encontram respostas mais concretas. É natural perguntar: será que é possível levar para lá o mesmo jeito de fazer política que ele construiu aqui?
Talvez a resposta esteja justamente na cena deste domingo. Quatorze anos depois, lá estava ele, no sinal, entregando santinhos, conversando com as pessoas, sem se esconder da rotina, sem abrir mão do contato direto com a realidade.
O primeiro passo já foi dado. E o incômodo que uma candidatura como essa provoca é visível. Sinal de que ele incomoda, de que mexe com estruturas, de que não passa despercebido. Mas, pelo que tenho observado, isso não abala o seu sentimento. Pelo contrário: parece fortalecer a sua disposição de seguir em frente.
No fim das contas, talvez a política seja exatamente isso: crescer sem perder a essência.
E, neste domingo, ao ver aquele mesmo Carlinhos de sempre no meio da rua, tive a certeza de que, independentemente do tamanho do cargo, o que realmente importa é não esquecer de onde se veio e para quem se trabalha.
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