BLOG DO JAIRO GOMES

Alfabetização para além de aprender a ler e escrever: como preparar crianças para compreender o mundo na era digital


Dia Mundial da Alfabetização chama atenção para a importância de desenvolver, desde os primeiros anos, habilidades de leitura, interpretação e pensamento crítico


Aprender a ler e escrever é uma das principais etapas da vida escolar, mas, em um mundo marcado pela circulação cada vez mais rápida de informações, o processo de alfabetização ganha novos desafios. Para além de reconhecer letras, formar palavras e produzir textos, as crianças precisam desenvolver, progressivamente, habilidades que permitam compreender diferentes linguagens, interpretar informações e se expressar com autonomia, inclusive diante dos conteúdos que circulam no ambiente digital.


O tema ganha destaque no dia 8 de setembro, quando é celebrado o Dia Mundial da Alfabetização. A data propõe uma reflexão sobre o papel da alfabetização diante das transformações da sociedade. A presença cada vez maior das tecnologias no cotidiano amplia a discussão sobre o que significa estar alfabetizado atualmente e sobre quais competências precisam ser desenvolvidas desde os primeiros anos escolares.

Construção de sentidos

Para Luiz Ventura, Gestor Pedagógico do Colégio Salesiano Recife, o contato com diferentes formas de linguagem faz parte de uma formação que vai além da decodificação de palavras. “É também um processo de construção de sentidos, que envolve compreender o que se lê, saber se expressar, ampliar o repertório e desenvolver a capacidade de pensar criticamente sobre as informações que chegam até a criança”, explica.

Na prática, a alfabetização pode ser trabalhada a partir de experiências que aproximam a criança da linguagem em diferentes contextos. “No Salesiano, usamos livros, histórias, músicas, brincadeiras, conversas, desenhos e atividades de escrita para ajudar a ampliar o vocabulário e a compreensão, enquanto recursos tecnológicos são incorporados de maneira planejada para apresentar outras possibilidades de leitura e produção”, detalha.

“Isso não significa substituir o contato com atividades tradicionais de alfabetização por telas. A tecnologia pode ser utilizada como uma ferramenta complementar, dentro de propostas que estimulem a curiosidade e a participação dos estudantes”, reforça Luiz. O objetivo é que a criança compreenda que a informação pode aparecer em diferentes formatos e desenvolva condições para interpretar aquilo que lê, vê e ouve.

Alfabetização e letramento digital

Em uma realidade na qual as crianças têm contato cada vez mais cedo com diferentes conteúdos digitais, o domínio da leitura e da escrita continua sendo indispensável. A partir dessas habilidades, os estudantes desenvolvem progressivamente a capacidade de interpretar informações, estabelecer relações e construir senso crítico para lidar com diferentes mídias e conteúdos digitais.

Nesse processo, a formação digital também ganha espaço. A Base Nacional Comum Curricular para a Computação (BNCC Computação), documento complementar à BNCC, apresenta três eixos: Pensamento Computacional, Mundo Digital e Cultura Digital. Eles orientam o desenvolvimento, desde os primeiros anos, de habilidades relacionadas à lógica e à resolução de problemas, à compreensão das tecnologias e ao uso consciente e responsável dos recursos digitais.

No Colégio Salesiano Recife, a Coordenadora de Tecnologia Educacional, Joselma Silva, explica que esses conceitos são trabalhados gradualmente e integrados ao processo de aprendizagem, de forma interdisciplinar, conectando diferentes áreas do conhecimento. “As ferramentas digitais que utilizamos no processo de alfabetização, como Jovens Gênios, Árvore de Livros e EdifyPlay, também incorporam recursos de Inteligência Artificial, que atuam como suporte, gerando trilhas de estudos específicas e personalizadas que podem contribuir com o processo de alfabetização”, exemplifica.

“A proposta é formar crianças que, além de saber ler, consigam compreender e questionar as informações e conteúdos aos quais têm acesso, desenvolvendo autonomia e pensamento crítico para lidar com as transformações digitais que fazem cada vez mais parte do cotidiano”, finaliza.

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