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Aliados de Flávio veem gesto de Ciro a Caiado e Renan como afronta, mas evitam confronto

PSDB

Pré-candidato do PSDB afirmou que pode apoiar concorrentes do senador na disputa presidencial

Por Agência O Globo

O ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PSDB) 
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A declaração do pré-candidato ao governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB) de que poderá apoiar Ronaldo Caiado (PSD) ou Renan Santos (Missão) na disputa pela Presidência provocou incômodo entre aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas não deve alterar a estratégia do PL no estado. Interlocutores da campanha do presidenciável afirmam que a fala rompeu um entendimento informal construído desde o início da aliança entre os dois grupos políticos, segundo o qual Ciro manteria neutralidade na corrida ao Planalto.

Apesar do mal-estar, interlocutores descartam qualquer escalada da crise. A avaliação é que o tucano segue sendo o nome mais competitivo para enfrentar o PT no Ceará e, por isso, o acordo estadual será preservado.

Nos bastidores, interlocutores de Flávio afirmam que nunca esperaram uma declaração de apoio de Ciro ao senador. A avaliação sempre foi que um endosso explícito poderia trazer mais desgaste do que benefícios, diante do passado do ex-ministro no primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da resistência de parte do eleitorado bolsonarista ao ex-presidenciável. O esperado, porém, era de que o tucano evitaria manifestações públicas em favor de outros presidenciáveis enquanto mantivesse a aliança com o PL no Ceará. Ao sinalizar apoio a Caiado ou Renan Santos, dizem aliados, Ciro rompeu esse pacto informal e cometeu uma “afronta”, ainda que insuficiente para justificar um rompimento.

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O cálculo político da campanha, contudo, sempre foi outro. A aposta está na capacidade de Ciro de desgastar Lula durante a campanha estadual e enfraquecer o principal adversário do PL no Ceará, o governador Elmano de Freitas (PT). Integrantes da campanha afirmam, inclusive, que pretendem abastecer o tucano com informações e material para reforçar as críticas ao governo federal.

Aceno movimenta presidenciáveis

Neste sábado, Ciro foi questionado sobre quem pretende apoiar na disputa presidencial após a desistência de Aécio Neves (PSDB-MG) de concorrer ao Planalto. O tucano respondeu que o partido ainda discutirá o tema, mas afirmou que votaria em Caiado “sem nenhuma dificuldade” e também elogiou Renan Santos.

— Nós, eu e o Tasso (Jereissati, ex-senador tucano pelo Ceará), estamos trocando ideias. Eu, por exemplo, me dou muito com o Ronaldo Caiado, votaria nele sem nenhuma dificuldade. Estou acompanhando essa novidade que apareceu, que é o Renan Santos. Me parece uma pessoa que, a despeito de jovem, está falando coisas muito verdadeiras, embora aqui e ali tenha exageros. É uma possibilidade — afirmou.

A fala do tucano movimentou imediatamente os dois presidenciáveis citados. Segundo interlocutores, Caiado pretende procurar Ciro ainda nesta semana para estreitar a interlocução com o ex-ministro e tentar ocupar o espaço aberto pela indefinição do PSDB na disputa presidencial. Já Renan Santos comemorou publicamente a menção feita por Ciro.

— Ciro Gomes é inteligentíssimo. Fico lisonjeado e animado com a declaração — disse.

Crise no bolsonarismo

A aliança entre PL e PSDB no Ceará foi o principal estopim da crise que dividiu o bolsonarismo nas últimas semanas. Michelle Bolsonaro defendia que o partido lançasse candidatura própria ao governo e atuou para que a então vereadora Priscila Costa disputasse o Senado.

O impasse culminou na divulgação de um vídeo em que Michelle afirmou ter sido “desrespeitada” e “maltratada” por Flávio durante as negociações envolvendo o Ceará. Dias depois, ela deixou a presidência nacional do PL Mulher, aprofundando o desgaste com o enteado.

Apesar das resistências internas, prevaleceu a estratégia defendida pelo diretório estadual. O acordo prevê o apoio do PL à candidatura de Ciro ao governo, enquanto o PSDB apoia a candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai do deputado André Fernandes (PL-CE), ao Senado.

No início deste mês, Ciro já havia evitado participar do evento em Fortaleza que marcou o lançamento das candidaturas do PL no estado. Oficialmente, alegou incompatibilidade de agenda. Nos bastidores, interlocutores dos dois lados afirmaram que havia interesse mútuo em impedir que a composição estadual fosse interpretada como uma aliança nacional entre o tucano e Flávio.

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