
Data homenageia a história de mulheres que ajudaram a transformar retalhos, máquinas de costura e trabalho familiar em uma das maiores cadeias produtivas do Nordeste
Santa Cruz do Capibaribe vive neste domingo, 20 de setembro, um momento histórico: pela primeira vez, o município celebra oficialmente o Dia Municipal da Sulanca. A data foi instituída pela Lei Municipal nº 4.205, de 27 de maio de 2026, que também reconheceu a Sulanca como patrimônio material, imaterial, cultural e histórico de Santa Cruz do Capibaribe.
A escolha do 20 de setembro carrega um forte significado. A data coincide com o aniversário de Petronila Senhorinha dos Santos, conhecida como Dona Petinha, reconhecida como uma das pioneiras da Sulanca no município. Sua trajetória representa a participação das mulheres que, com máquinas de costura, retalhos e produção artesanal, ajudaram a construir as bases de uma atividade que transformaria a economia local.
A história da Sulanca está diretamente ligada à capacidade de Santa Cruz do Capibaribe de transformar dificuldades em oportunidade. A produção de peças de vestuário começou de forma simples, muitas vezes dentro das próprias casas, envolvendo famílias inteiras. As peças eram comercializadas nas ruas e feiras, inicialmente em uma realidade muito distante da estrutura empresarial que existe atualmente.
Com o passar das décadas, aquilo que nasceu como uma alternativa de sobrevivência e geração de renda ganhou escala. A feira cresceu, novos comerciantes chegaram, a produção aumentou e a confecção passou a movimentar uma extensa cadeia formada por fabricantes, facções, fornecedores de tecidos e aviamentos, transportadores, comerciantes, hotéis, restaurantes e inúmeros trabalhadores.
A Sulanca também ajudou a mudar a própria identidade econômica de Santa Cruz. O município passou a ser conhecido nacionalmente pela produção e comercialização de roupas e se consolidou como um dos principais polos de confecções do Brasil. O que hoje representa uma importante atividade econômica teve origem no trabalho cotidiano de pessoas que aprenderam a produzir, vender e empreender em meio às limitações de uma região marcada pela escassez de oportunidades.
Por isso, o Dia Municipal da Sulanca não é apenas uma data comemorativa. É uma oportunidade para preservar a memória de uma história construída por muitas mãos. Antes das grandes estruturas comerciais, das fábricas, das marcas e do Moda Center, existiam as pequenas produções domésticas, as feiras e, principalmente, homens e mulheres que acreditaram que era possível construir uma vida melhor através da costura e do comércio.
Neste primeiro 20 de setembro oficial, Santa Cruz do Capibaribe celebra não apenas uma atividade econômica, mas uma parte fundamental de sua própria identidade. Celebrar a Sulanca é reconhecer o passado, valorizar quem abriu os primeiros caminhos e lembrar que o desenvolvimento que transformou a cidade começou de maneira simples: com trabalho, criatividade, coragem e uma máquina de costura.
Hoje é dia de celebrar a Sulanca. E, sobretudo, de celebrar os sulanqueiros e sulanqueiras que ajudaram a construir Santa Cruz do Capibaribe.
Lei municipal oficializa o 20 de setembro como Dia da Sulanca
Um dos principais marcos da criação da data foi a aprovação do Projeto de Lei nº 63/2026, de autoria do vereador Gilson Julião (MDB). A proposta foi aprovada pela Câmara de Vereadores em 26 de maio de 2026 e, no dia seguinte, 27 de maio, foi sancionada pelo prefeito Helinho Aragão, transformando-se na Lei Municipal nº 4.205/2026. A legislação reconhece a Sulanca como patrimônio imaterial e cultural de Santa Cruz do Capibaribe e estabelece oficialmente 20 de setembro como o Dia Municipal da Sulanca.
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