REFIS PRORROGADO
Sem cura, inflamatória e autoimune, a esclerose múltipla (EM) é uma doença que afeta o sistema nervoso central e acomete principalmente adultos jovens. Desses, as mais impactadas são as mulheres na idade entre 20 e 40 anos, segundo o Ministério da Saúde. À nível global, as estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 2,9 milhões de pessoas vivem com esclerose múltipla no mundo. Aproximadamente 40 mil delas no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.
Com a capacidade de inflamar diferentes regiões do cérebro e da medula espinhal, a EM compromete a transmissão dos impulsos nervosos e causa sintomas que variam conforme a área afetada. Isso ocorre, pois essa é uma doença desmielinizante, ou seja, o sistema imunológico do paciente passa a atacar a mielina, camada que reveste e protege as fibras nervosas.
Segundo o neurologista José Luiz Inojosa, do Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas, a doença resulta de uma combinação entre fatores genéticos e ambientais. "A esclerose múltipla não é causada por um único fator. Existe uma interação complexa entre o potencial genético e fatores ambientais. A obesidade na adolescência pode aumentar o risco da doença na vida adulta, assim como infecções pelo vírus Epstein-Barr, responsável pela mononucleose infecciosa. Mas isso não significa que quem teve essa infecção ou tenha tido obesidade na juventude necessariamente desenvolverá esclerose múltipla”, explica.
Ainda sobre a causa da doença, outro mito frequente que circula a EM é o da hereditariedade. "Ter um parente de primeiro grau com esclerose múltipla não significa que a pessoa obrigatoriamente terá a doença. Nem mesmo gêmeos idênticos necessariamente desenvolvem a mesma condição”, reforça o especialista.
Segundo o Ministério da Saúde, a EM começa a surgir geralmente entre os 20 e 40 anos de idade, mas pode ocorre entre 15 e 60 anos. Como qualquer área do sistema nervoso pode ser afetada, os sintomas são bastante variados, o que dificulta o diagnóstico. Alguns, porém, são considerados clássicos e merecem investigação.
"Um dos sinais mais comuns é a perda de visão em um dos olhos, geralmente acompanhada de dor ao movimentar o olho. O paciente pode perceber um embaçamento ou até dificuldade para enxergar a cor vermelha”, diz o neurologista.
Outro sintoma frequente é a visão dupla. "Quando um paciente jovem apresenta visão dupla, precisamos investigar doenças inflamatórias como a esclerose múltipla. Em idosos, pensamos primeiro em um AVC, mas nos jovens essa hipótese precisa ser considerada”, alerta José Luiz Inojosa.
O especialista ainda ressalta que fraqueza em um braço ou em uma perna, alterações da coordenação motora, sensação de formigamento que dura mais de 24 horas, dificuldade para escrever ou manipular objetos e alterações urinárias, como urgência ou retenção, são sintomas que também precisam ser avaliados por um neurologista.
Outro ponto que dificulta o diagnóstico precoce é a inconstância dos sintomas. A maioria das pessoas que tem a doença passam por períodos de saúde relativamente boa, ou seja, remissões, e alternam com períodos de piora (recaídas ou surtos).
Tratamento mudou a história da doença
Embora ainda não exista cura, a esclerose múltipla é hoje uma das áreas da neurologia que mais evoluiu em relação aos tratamentos. "Vivemos uma verdadeira revolução terapêutica. Há alguns anos, as medicações tinham eficácia limitada. Hoje contamos com terapias de alta eficácia, muitas delas já disponíveis pelo SUS, capazes de controlar a atividade inflamatória da doença e preservar a qualidade de vida por muitos anos”, afirma o profissional.
O neurologista explica que iniciar o tratamento precocemente faz diferença no futuro do paciente. "A ciência considera ideal iniciar uma terapia de alta eficácia nos primeiros dois anos após o diagnóstico. Isso reduz significativamente o risco de sequelas futuras e preserva funções como marcha, cognição, movimentos dos braços e controle urinário."
Segundo ele, muitos pacientes conseguem atingir um estágio de remissão. "Algumas terapias conseguem fazer com que a doença permaneça inativa por muitos anos. O paciente continua tendo o diagnóstico, mas deixa de apresentar novas crises. Hoje, muitas pessoas com esclerose múltipla estudam, trabalham, praticam esportes e levam uma vida muito próxima da normalidade”, afirma.
Prevenção ainda é um desafio
Como a doença depende de diversos fatores, ainda não existe uma forma comprovada de prevenir seu aparecimento. Entretanto, alguns hábitos podem contribuir para reduzir fatores de risco.
"Não existe vacina ou tratamento capaz de impedir que a doença apareça. Mas sabemos que parar de fumar é fundamental, porque o cigarro torna a esclerose múltipla mais agressiva. Também é importante cuidar da alimentação, da qualidade do sono, praticar atividade física e manter uma boa saúde intestinal”, recomenda Inojosa.
Rede Américas
A Rede Américas é a segunda maior rede de hospitais do Brasil, com atuação em sete estados (SP, RJ, PR, BA, PE, SE, RN) e no DF. São 25 hospitais e 38 unidades oncológicas, resultado da joint venture entre Dasa e Amil.
Com mais de 27 mil colaboradores, 35 mil médicos atuantes e mais de 3.800 leitos, une excelência clínica, inovação contínua e olhar humano. Guiada pelo propósito “Paixão por cuidar”, alia qualidade assistencial e segurança em cada etapa do atendimento aos pacientes.
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