BLOG DO JAIRO GOMES

São João com cachê de R$ 1 milhão de Wesley Safadão é suspenso a pedido do MPC-PE


O Ministério Público de Contas de Pernambuco (MPC-PE), por meio do procurador Gustavo Massa, titular da 6ª Procuradoria de Contas, protocolou uma Representação Interna, com pedido de Medida Cautelar, solicitando a suspensão de novas despesas referentes à programação do São João de 2026 da cidade de Vitória de Santo Antão. Em resposta imediata a indícios déficit fiscal nas despesas do município apresentados, o conselheiro relator do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), Ranilson Ramos, expediu um Ofício à gestão municipal, determinando a suspensão de quaisquer atos relacionados a este certame e concedendo o prazo de cinco dias para a apresentação de defesa.

Na Representação, o Parquet de Contas aponta significativo desequilíbrio fiscal no município. “Encontramos déficit de R$ 80 milhões na execução orçamentária, ou seja, o município realizou despesas em volume superior à arrecadação”, apontou o procurador de contas. “A situação é semelhante à encontrada em Floresta em 2026: contratações artísticas relevantes diante de um caos financeiro”, comparou o procurador Gustavo Massa.

No documento, o procurador identifica déficits no recolhimento das contribuições previdenciárias de servidores e registra denúncias de atraso no pagamento de profissionais de enfermagem. Ele expõe, também, prejuízos no atendimento à população. “Tivemos acesso a uma Notícia de Fato que apura a interrupção da prestação de serviços de saúde mental pelo Centro Hospitalar Santa Maria, em virtude de uma dívida de R$ 524 mil”, informou Gustavo Massa.

Em contraste com o cenário de restrição financeira, o MPC-PE ressalta os altos valores empenhados na contratação de artistas para o ciclo junino, já que a programação da prefeitura inclui shows de nomes como João Gomes e Wesley Safadão. “Chamou a atenção a quantidade de atrações de renome nacional, incluindo Wesley Safadão, tendo cachê de R$ 1 milhão após a Amupe ter definido limite máximo de R$ 350 mil reais em 2026”, sublinhou

Diante da materialidade dos achados, o procurador Gustavo Massa requereu formalmente ao TCE-PE que a Prefeitura de Vitória de Santo Antão seja determinada a se abster de emitir ordens de serviço, empenhar ou liquidar despesas relativas às festividades. Com a emissão do Ofício pelo gabinete do conselheiro Ranilson Ramos, a prefeitura encontra-se impedida de realizar os repasses até que preste os devidos esclarecimentos ao órgão de controle.

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