BLOG DO JAIRO GOMES

Mudar de ideia também é inteligência

Tem gente que confunde convicção com teimosia.

Convicção é defender uma ideia porque existem razões para defendê-la. Teimosia é continuar defendendo a mesma ideia quando os fatos já demonstraram que ela estava errada.

E existe algo ainda pior: ter orgulho de não mudar de ideia.

Vivemos um tempo em que muita gente escolheu seus lados antes de escolher os fatos. A informação virou torcida. A opinião virou identidade. E admitir um erro passou a ser visto, por alguns, como sinal de fraqueza.

Não é.

Mudar de ideia pode ser uma das maiores demonstrações de inteligência.

Quem pensa de verdade está sujeito a rever suas certezas. Quem aprende incorpora novas informações. Quem observa a realidade percebe que nem sempre aquilo que parecia evidente continua fazendo sentido depois que conhecemos os fatos.

Errar faz parte.

Insistir no erro por orgulho é outra coisa.

Não há vergonha em dizer:

“Eu estava errado.”

Vergonha é perceber que estava errado e, ainda assim, procurar argumentos para continuar errado.

A ciência funciona assim. O conhecimento funciona assim. A vida funciona assim.

A gente aprende, compara, questiona, corrige a rota e segue em frente.

Talvez devêssemos ter menos medo de mudar de opinião e mais medo de permanecer presos a certezas que já não resistem à realidade.

Porque, no fim das contas, não é a pessoa que muda de ideia que precisa ser questionada. É aquela que nunca admite que pode estar errada.

Pensar é também ter coragem de rever o próprio pensamento.

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