REFIS PRORROGADO
O que Lula fez não foi bravata. Foi um desafio republicano. Ao protocolar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, incluindo os da primeira-dama, Janja, e dos cinco filhos, o presidente tirou a discussão do terreno das palavras e a colocou no campo dos compromissos formais.
E eu acredito que Flávio Bolsonaro não vai fugir desse desafio. Afinal, quem passa a vida cobrando explicações dos adversários não pode tratar a transparência como virtude apenas quando ela é exigida dos outros. Se Flávio afirma não ter nada a esconder, tem a oportunidade de demonstrar que seu discurso resiste ao mesmo critério que Lula propôs para si e sua família.
Não se trata de declarar ninguém culpado ou inocente antecipadamente. A abertura de sigilos não substitui uma investigação, não dispensa o devido processo legal e tampouco constitui prova automática de honestidade. Trata-se de coerência pública. Quando dois lados disputam a confiança da população, aceitar critérios equivalentes de transparência pode dizer muito sobre o compromisso de cada um com a prestação de contas.
Eu prefiro acreditar que Flávio aceitará. Seria uma oportunidade de esclarecer dúvidas, afastar suspeitas e mostrar que suas cobranças não são apenas retórica eleitoral. Se considerar que existem problemas jurídicos na proposta, que os apresente com clareza. O debate democrático ganha quando os candidatos explicam suas posições e se submetem às mesmas exigências de responsabilidade pública.
Lula fez o movimento. Agora, cabe a Flávio responder. Não com deboche, não com ataques e não com mais acusações, mas com uma posição clara diante de um desafio que toca no coração da vida republicana: a transparência de quem pede ao povo o direito de governá-lo.
Porque, no fim das contas, quem cobra explicações precisa estar disposto a oferecê-las. E eu quero acreditar que Flávio Bolsonaro não perderá a oportunidade de provar que a transparência que exige dos outros também vale para ele.
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