Se podemos construir um mundo mais justo hoje, por que adiar essa tarefa para amanhã — ou para depois da morte? Existe uma contradição que merece ser enfrentada: desejamos um mundo sem fome, sem miséria, sem guerras e sem desigualdades, mas frequentemente tratamos a possibilidade de construí-lo como um sonho distante, quase sempre reservado a um futuro que nunca chega. Para alguns, a felicidade plena está no paraíso prometido pela fé. Para outros, o sentido da existência está na construção de uma sociedade em que todos tenham acesso à alimentação, à saúde, à educação, à moradia e a uma vida digna. Essas perspectivas não precisam ser inimigas. O problema começa quando a esperança no amanhã se transforma em justificativa para a indiferença diante do sofrimento de hoje. Afinal, que sentido tem desejar um mundo sem fome depois da morte enquanto aceitamos que crianças passem fome em vida? Que valor tem a promessa de uma humanidade reconciliada se não somos capazes de combater as injustiças ...