Nikolas Ferreira tentou transformar a miséria nordestina em palanque digital, mas a estratégia esbarrou num detalhe inconveniente: a realidade não combina com encenação. Ao que foi denunciado, o deputado recorreu a pessoas que não viviam a realidade retratada no vídeo. Quando a representação é apresentada como se fosse um retrato fiel da vida de uma população, a credibilidade do conteúdo fica comprometida. E foi justamente aí que a narrativa começou a desmoronar: o Nordeste virou cenário, a pobreza virou instrumento e a verdade virou um problema. Uma coisa é mostrar as dificuldades de uma região. Outra, completamente diferente, é construir uma narrativa que reforça preconceitos para arrancar curtidas, alimentar uma bolha política e transformar sofrimento humano em espetáculo. O Nordeste não precisa ser romantizado. Temos pobreza, desigualdade, problemas de infraestrutura e desafios históricos que precisam ser enfrentados. Mas também temos trabalho, indústria, empreendedorismo, universi...