REFIS PRORROGADO
A pecuária pernambucana ganhou um novo horizonte comercial com a habilitação da unidade da Masterboi em Canhotinho, no Agreste Meridional, para exportar carne bovina à China. A conquista, anunciada em 29 de setembro, foi um dos destaques da entrevista concedida por Josinaldo Medeiros ao jornalista Jairo Gomes, da Rede Pernambuco de Rádios, durante o 4º Dia de Campo da Agro FTI, realizado no Haras Agro FTI, em Insurreição, Sairé, no Agreste do estado.
Na conversa, Josinaldo destacou o impacto da presença da indústria frigorífica na região, o crescimento dos investimentos dos pecuaristas e a necessidade de profissionalização da atividade para aproveitar as oportunidades do mercado nacional e internacional.
Segundo ele, a instalação da unidade de Canhotinho contribuiu para ampliar a segurança comercial dos produtores, estimulando investimentos na melhoria dos rebanhos e na produtividade das propriedades.
“A chegada da Masterboi com a planta em Canhotinho deu aquela vivência que o produtor tanto esperava, que era garantia de venda”, afirmou.
A habilitação para o mercado chinês representa um avanço para a indústria de carne bovina instalada em Pernambuco. A autorização amplia as possibilidades comerciais da unidade de Canhotinho e fortalece a conexão entre a produção pecuária regional e o mercado internacional.
Josinaldo classificou o feito como histórico para o Nordeste e ressaltou que a conquista foi resultado de preparação industrial, adequação aos requisitos exigidos e comprometimento das equipes envolvidas.
“É o primeiro frigorífico a habilitar para a China no Nordeste”, declarou.
A autorização foi concedida pela Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC), órgão responsável pelos procedimentos de habilitação sanitária e comercial do país asiático. A Masterboi já possuía uma unidade habilitada no Pará, de modo que a nova autorização amplia a presença da empresa nesse mercado.
A abertura comercial também cria perspectivas para os pecuaristas pernambucanos, fornecedores de animais, transportadores e demais segmentos ligados à cadeia produtiva. Os efeitos concretos, entretanto, dependem das condições comerciais, da demanda e da capacidade de fornecimento.
Para Josinaldo, o desenvolvimento da pecuária no Agreste não depende apenas da existência de compradores. É necessário investir em genética, manejo, nutrição, acompanhamento técnico e gestão da propriedade.
Durante a entrevista, ele elogiou o trabalho desenvolvido pela Agro FTI na seleção genética das raças Sindi e Nelore, destacando o interesse de criadores de outras regiões pela qualidade dos animais apresentados no evento.
Ao comentar as características do Sindi, ressaltou a rusticidade da raça e seu potencial produtivo quando associado a um programa consistente de melhoramento genético e manejo adequado.
O representante da Masterboi também explicou que a indústria trabalha com produtores de diferentes portes e perfis, incluindo aqueles que comercializam animais mestiços provenientes de regiões com tradição na pecuária leiteira.
Segundo ele, embora esses animais possam apresentar menor valor agregado em determinadas condições, eles mantêm espaço na cadeia de comercialização. O Nelore, por sua vez, continua tendo presença expressiva pela rusticidade e pelos resultados que pode proporcionar nos sistemas de produção.
A entrevista evidenciou que a combinação entre genética, manejo e assistência técnica é fundamental para melhorar o desempenho dos rebanhos e a rentabilidade da atividade.
Na avaliação de Josinaldo, o cenário oferece oportunidades para a pecuária brasileira, mas os produtores precisam estar preparados para competir.
“Ganha mais quem investe do que quem fica parado”, resumiu.
Ele defendeu a busca permanente por conhecimento e assistência técnica, além do acesso a recursos e tecnologias que muitas vezes deixam de ser utilizados por falta de informação.
O executivo também observou que mudanças na ocupação econômica de determinadas áreas, incluindo a migração de atividades tradicionais para a pecuária, vêm contribuindo para a transformação produtiva de algumas regiões.
Para ele, o Agreste pernambucano apresenta condições para avançar, desde que os investimentos sejam acompanhados de planejamento e qualificação.
Ao final da entrevista, Josinaldo destacou a responsabilidade econômica e social da Masterboi, que, segundo ele, conta com mais de 4.200 colaboradores.
A unidade de Canhotinho integra uma cadeia que movimenta a produção rural, a indústria, o transporte e diferentes atividades de serviços. A habilitação para exportar à China amplia as possibilidades de negócios e reforça a importância da estrutura industrial para o desenvolvimento da pecuária no estado.
A reportagem de Jairo Gomes, realizada durante o encontro promovido pela Agro FTI, trouxe ao debate um tema central para o futuro do setor: transformar o potencial produtivo do Agreste em resultados sustentáveis por meio da genética, da tecnologia, da qualificação e do acesso aos mercados.
Com a abertura de novas possibilidades comerciais e o interesse crescente pelo melhoramento dos rebanhos, a pecuária pernambucana tem oportunidades de avançar. O desafio é fazer com que esses ganhos alcancem produtores de diferentes portes e fortaleçam toda a cadeia produtiva regional.
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