BLOG DO JAIRO GOMES

Com 91 anos, Erundina é a deputada estadual mais velha eleita em 2026

Ex-prefeita de SP ocupará cadeira na Alesp

Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil
São Paulo
Brasília (DF) 24/04/2024 – O Ministério das Mulheres divulga o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam) 2024, em solenidade no Ministério da Justiça e Segurança Pública. O documento traz uma compilação descritiva e analítica de dados a partir de 2020, referentes ao perfil demográfico e socioeconômico das brasileiras. Ao todo, são sete eixos temáticos: Estrutura Demográfica; Autonomia Econômica e Igualdade no Mundo do Trabalho; Educação; Saúde Integral, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos; Enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres; Mulheres em espaços de poder e decisão; e Mulheres no Esporte. Na foto a deputada federal, Luiza Erundina.   Foto: Jose Cruz/ Agência Brasil
© Jose Cruz/ Agência Brasil

Luiza Erundina (Psol) tornou-se a deputada estadual mais velha a ser eleita em todo o país no pleito de 2026. Aos 91 anos, ela ocupará uma das 94 cadeiras da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

A ex-prefeita de São Paulo ficou na 13ª posição, com 169.567 votos, para iniciar mandato em 2027. No estado, superou o deputado Eduardo Suplicy (PT), de 85 anos, até então o mais velho da Alesp.

Nascida no dia 30 de novembro de 1934, em Uiraúna, na Paraíba, Erundina é formada em Serviço Social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). É ainda mestre em ciências sociológicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP). 

Em 1989, até então filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), foi a primeira mulher representante da esquerda a assumir o cargo de prefeita na cidade de São Paulo. Cumpriu mandato até 1992. 

Desde então, percorreu trajetória política no Congresso Nacional, tornando-se deputada federal por sete mandatos, quando:

  1. integrou frentes parlamentares na Câmara dos Deputados que contribuíram para a aprovação de importantes fundos, como o Fundo Nacional de Habitação Popular.
  2. participou da elaboração de propostas voltadas à garantia dos direitos das mulheres, incluindo projeto de combate à discriminação contra gestantes em processos seletivos para bolsas acadêmicas.
  3. aprovou a Lei das Brinquedotecas (Lei nº 11.104/2005), considerada uma de suas principais conquistas legislativas por seu impacto social.
  4. tornou obrigatória a instalação de brinquedotecas em unidades de saúde com atendimento pediátrico em regime de internação hospitalar.
  5. garantiu às gestantes atendidas pelo SUS o direito ao conhecimento prévio e à vinculação à maternidade onde receberão assistência ao parto, por meio da Lei nº 11.634/2007.
  6. instituiu o Dia Nacional do Forró (Lei nº 11.176/2005), comemorado em 13 de dezembro, em homenagem ao nascimento de Luiz Gonzaga e à valorização da cultura nordestina.
  7. declarou o arquiteto Oscar Niemeyer patrono da Arquitetura Brasileira, por meio da Lei nº 11.117/2005.

Experiência

Para a cientista política e coordenadora executiva da Organização Não Governamental Cidadania, Estudo, Pesquisa (CEPIA), Jacqueline Pitanguy, a eleição de Erundina deve ser comemorada e respeitada. Ela concedeu entrevista à jornalista Mara Régia, da Rádio Nacional.

“Primeiro porque ajuda a quebrar a ideia do etarismo, de que as pessoas envelhecem e desaparecem. O envelhecimento pode marcar uma presença com maior sabedoria, experiência e tolerância.”

Jacqueline ressalta ainda que Erundina traz consigo bagagem de seu trabalho na área pública.

“[Reforça] sobretudo esta ideia de que no Brasil existe trânsito, mobilidade social: ela que saiu do interior do nordeste e chegou a prefeita da maior cidade do Brasil e agora vai contribuir muito com a Assembleia Legislativa de São Paulo."

Pautas

Como deputada estadual, Erundina defende os seguintes temas:  

  • transporte e tarifa zero: mobilidade como direito, passe livre e transporte público de qualidade para quem depende dele todos os dias;
  • direito das mulheres, crianças e adolescentes: enfrentamento à violência e políticas de proteção para quem mais precisa de amparo do Estado;
  • ‎democratização da comunicação: informação como bem público, contra o monopólio e a favor de uma comunicação plural e livre;
  • ‎participação popular e controle social: O povo decidindo os rumos da cidade e do estado, com transparência e participação de verdade;
  • ‎memória, verdade, justiça e direitos humanos: em defesa da democracia e contra todo retrocesso;
  • ‎justiça social e políticas públicas universais: saúde, educação e assistência para todas e todos, sem deixar ninguém para trás.

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