Nova etapa do projeto Visões Sonoras da Cidade promove acessibilidade em mais locais do Recife


Iniciativa chega a segunda fase e utiliza audiodescrição para que pessoas com deficiência visual construam novas perspectivas da cidade

Uma cidade em que todos os moradores e visitantes, incluindo pessoas com deficiência visual, possam vivenciar plenamente seus espaços, reconhecendo e ressignificando o entorno, com acessibilidade garantida e em conformidade com a Lei Brasileira de Inclusão (LBI). Essa é a missão do projeto Visões Sonoras da Cidade, que chega à sua segunda fase ampliando o acesso à paisagem urbana do Recife por meio da técnica de audiodescrição.

Desenvolvida pela empresa Com Acessibilidade Comunicacional e financiada pelo Governo do Estado de Pernambuco, por meio do edital Funcultura, a iniciativa promove acessibilidade em quatro novos pontos históricos e culturais da capital pernambucana: Pátio do Terço, Pátio de São Pedro, Mercado de São José e Parque das Esculturas. A proposta é revelar, através da palavra narrada, os cenários desses locais para pessoas com deficiência visual e para pessoas neurodivergentes, promovendo uma experiência mais inclusiva e sensorial da cidade.

"A audiodescrição permite alcançar construções imagéticas a partir da narrativa, possibilitando que diferentes públicos compreendam detalhes arquitetônicos, espaciais e simbólicos dos ambientes urbanos. É um trabalho detalhado, que inclui visitas técnicas, pesquisa, tradução, elaboração de roteiro, revisão, gravação e edição. Para no final, construirmos 'paisagens sonoras', buscando aproximar pessoas cegas ou com baixa visão ao espaço descrito", explica a audiodescritora, idealizadora do Visões Sonoras da Cidade e diretora-executiva da Com Acessibilidade Comunicacional, Liliana Tavares.

Equipe multidisciplinar e inclusiva

Na primeira fase, concluída em maio de 2025, a ação produziu audiodescrições de seis paisagens emblemáticas da área central do Recife, entre elas a praça do Marco Zero, a Rua do Bom Jesus, a Torre Malakoff, o casario da Rua Aurora, a fachada do Teatro de Santa Isabel e a Praça da República. 

Com uma equipe inclusiva e multidisciplinar, que conta com Michelle Alheiros, consultora de audiodescrição cega, e Mariana Hora, consultora de conteúdo surda, o trabalho realizado será armazenado no Youtube, disponibilizado em um QR Code hospedado no site da Com Acessibilidade Comunicacional e inserido nas placas dos pontos culturais. Além disso, o projeto também deve ser entregue para os gestores do equipamento público e para a Secretaria de Cultura. 

"A paisagem também é uma forma de identidade, de se sentir pertencente ao local que se habita. Com o Visões Sonoras da Cidade 2, expandimos a nossa ação para que pessoas com deficiência possam experienciar a memória e a cultura da cidade. Além disso, deixamos um importante legado para a capital pernambucana, buscando posicioná-la como um exemplo de que a acessibilidade pode e deve ser considerada uma prioridade social pelo setor público", finaliza Liliana Tavares.

 Créditos da imagem: Icaro Benjamim.

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