Americanas (AMER3) declara à Justiça dívidas de R$ 40 bi e entra em guerra com bancos

ABERTURA DE MERCADO

Feriado nos EUA abre espaço para investidores acompanharem novela da varejista. Com Haddad em Davos, Brasília tem pouco para mexer com o Ibovespa.

Por Tássia Kastner e Camila Barros
Revista VC S/A


Bom dia!

A semana começa em ritmo mais lento, uma cortesia do feriado de Martin Luther King, nos EUA. Aí sobra bastante tempo para a Faria Lima se ocupar do maior escândalo corporativo da bolsa brasileira.

Na sexta-feira, a Americanas (AMER3) conseguiu na Justiça uma proteção contra a cobrança de credores, isso após ter anunciado a “descoberta” de R$ 20 bilhões em dívidas que não apareciam no balanço.

Na ação, que foi protocolada em segredo de Justiça, a varejista afirmou ter dívidas de R$ 40 bilhões – R$ 18,8 bilhões com bancos, segundo o Valor Econômico. O balanço anterior da companhia apresentava dívida bruta de R$ 20 bilhões.

A ação da Americanas ainda não se trata de um pedido de recuperação judicial, mas uma espécie de preparação para a RJ. O efeito para os credores é o mesmo: eles não conseguem cobrar dívidas.

O BTG tentou, sem sucesso, derrubar a decisão afirmando que tratava-se do “fraudador pedindo às barras da Justiça proteção contra sua própria fraude”. No texto, os advogados do banco citam o livro Sonho Grande, que conta a história do 3G Capital, o fundo dos bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. No texto destacado, os autores dizem o seguinte: “Nós temos que fazer pirotecnia. De vez em quando vamos ter que dar uma de maluco para esses caras saberem que é para valer”.

No cerne da crise com o BTG está a decisão de primeira instância que pediu a devolução de pagamentos de R$ 1,2 bilhão ao BTG.

Trata-se de mais um capítulo da novela, que será longa. Os bancos, que até a semana passada estavam dispostos a negociar com a Americanas, agora estão arredios, segundo o Valor Econômico. A pressão é que o trio do 3G Capital aporte pelo menos R$ 10 bilhões na companhia para que ela seja viável.

A crise começou após a revelação de que, por quase uma década, a companhia teria “ocultado” sua dívida ligada a pagamentos de fornecedores, driblando inclusive duas das grandes empresas de auditoria do mundo, a PwC e a KPMG.

Fora do caso Americanas, o dia promete poucas emoções. Os bilionários do mundo estão em Davos para o Fórum Econômico Mundial. O Brasil mandou os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Marina Silva (Meio Ambiente) para começar o processo de reconstrução da imagem do país no exterior, após a posse do presidente Lula. Com isso, o noticiário econômico em Brasília tende a ser mais tranquilo.

No mundo das commodities, o dia começa com o pé esquerdo com um tombo do minério e uma queda mais modesta do petróleo. Tudo indica que não vai dar para contar com Petrobras e Vale nesta segunda-feira. Boa sorte e boa semana.


Bolsas americanas permanecem fechadas pelo feriado de Martin Luther King


Os balanços dos bancões americanos

Na sexta-feira, foi dada a largada na temporada de balanços do quarto trimestre nos EUA. Na primeira leva de relatórios, estão os dos quatro maiores bancos do país: JP Morgan, Bank of America (BofA), Citigroup e Wells Fargo. Em comum, todos eles tiveram forte queda na receita de investment banking – para o BofA, a queda foi de mais de 50%. Por outro lado, a alta dos juros ajudou a dar um gás na margem financeira das instituições. No fim, elas sofreram desaceleração nos lucros, mas, com exceção do Citi, superaram as expectativas do mercado.

O JP Morgan registrou lucro líquido de US$ 11 bilhões no quarto tri, ou US$ 3,57 por ação. As estimativas apontavam para um lucro de US$ 3,11/ação. O BofA lucrou US$ 7,1 bilhões, ou US$ 0,85 por ação. A expectativa era de US$ 0,77/ação. O Citi lucrou US$ 2,5 bilhões no quatro trimestre de 2022, ou US$ 1,10 por ação – recuo de 21,9% em um ano. Ficou aquém das expectativas do mercado, de US$ 1,14/ação. O Wells Fargo lucrou US$ 2,86 bilhões, ou US$ 0,67 por ação. Os analistas esperavam US$ 0,60/ação.

Depois dos resultados, as ações do JP Morgan subiram 2,52%. O BofA, Citi e Wells Fargo registraram alta de 2,20%, 1,69% e 3,24%, respectivamente.


Começa Fórum Econômico Mundial, em Davos

8h25 Boletim Focus17h Posse da nova presidente do Banco do Brasil (BBAS3), Tarciana Medeiros


• Índice europeu (EuroStoxx 50): -0,09%
• Bolsa de Londres (FTSE 100): 0,12%
• Bolsa de Frankfurt (Dax): 0,11%
• Bolsa de Paris (CAC): 0,01%*às 7h40


• Índice chinês CSI 300 (Xangai e Shenzhen): 1,56%
• Bolsa de Tóquio (Nikkei): -1,14%
• Hong Kong (Hang Seng): 0,04%


• Brent*: -0,49%, a US$84,86
• Minério de ferro: -4,31%, a US$ 123,71 por tonelada na bolsa de Dalian
*às 7h40


A treta da previdência na França

Reformar a previdência francesa foi uma das promessas de campanha para a reeleição de Emmanuel Macron, em 2022. A ideia é que, até 2030, a idade mínima para aposentadoria passe de 62 para 64 anos. Em contrapartida, o valor mínimo do benefício deve aumentar em €100, para €1.200 por mês. Para boa parte dos franceses, essa troca não parece vantajosa. A The Economist analisa por que, caso decida continuar com a medida, Macron deve enfrentar mais um período de impopularidade em seu governo.

Como ninguém viu um elefante na sala

Você deve ter se perguntado como ninguém tinha reparado o rombo de R$ 20 bilhões da Americanas até agora. Afinal, essa quantia era praticamente o dobro do que valia a empresa até a última quinta-feira: R$ 10,8 milhões. Sergio Rial, ex-CEO, afirmou que as “inconsistências contábeis” já se arrastavam por nove anos. O mercado fica sabendo da saúde financeira das companhias de capital aberto trimestralmente, na temporada de balanços. Esses balanços são auditados por escritórios contratados pelas próprias empresas. A tarefa deles é se certificar de que os números estão corretos – mas nem sempre funciona. Aqui, a Folha explica como são feitos os balanços e a auditoria.

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