Se aprovação de Bolsonaro cair abaixo de 20%, terceira via ganha impulso, dizem investidores


Correio Braziliense

Investidores que costumam destrinchar pesquisas dizem que, se a aprovação do presidente Jair Bolsonaro cair abaixo de 20%, uma candidatura de terceira via poderá ganhar forte impulso. Não há, na visão desses especialistas, como um candidato à reeleição se segurar com popularidade tão baixa.

Segundo pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (16/09), a aprovação de Bolsonaro caiu de 24% para 22%, mesmo com seus seguidores tendo tomado às ruas no Sete de Setembro. O índice de ruim ou péssimo saltou de 51% para 53%, ainda dentro da margem de erro, mas sintomático.

O presidente vive seu pior momento. Teve de recuar dos arroubos autoritários, a inflação está encostando nos dois dígitos, o desemprego continua muito elevado, o Banco Central vai subir mais fortemente os juros, as projeções para 2022 apontam crescimento abaixo de 1% e o país está próximo dos 600 mil mortos pela covid-19.

No entender dos investidores ouvidos pelo Blog, mais do que nunca, os potenciais candidatos da terceira via devem se unir e fechar questão em torno de um nome realmente capaz de conquistar o eleitorado. Até agora, mesmo com toda a fragilidade de Bolsonaro, ninguém consegue fazer frente ao próprio presidente e ao ex-presidente Lula, que lidera todas as pesquisas para 2022.

Um candidato viável da terceira via terá que focar muito no social, atacando a inflação, o desemprego e a pobreza. Não sem razão: a maior rejeição de Bolsonaro está entre aqueles que ganham até dois salários mínimos, os mais afetados pela carestia e pela falta de oportunidade no mercado de trabalho. Nesse grupo, ele é reprovado por 56% dos ouvidos pelo Datafolha, apesar da continuidade do pagamento do auxílio emergencial, ainda que em valor menor.

Não será fácil para Bolsonaro reverter a trágica situação da economia. O Banco Central atrasou demais o combate à inflação. Agora, terá de pesar a mão mais nos juros. Além disso, o país enfrenta a mais grave crise hídrica em 91 anos. A possibilidade de o país decretar racionamento de energia é enorme. Nenhum governante resiste a um racionamento.

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