Após declarações de Bolsonaro, Egito cancela viagem de comitiva brasileira

Militar pretende reconhecer Jerusalém como capital de Israel, o que desagradou comunidade árabe

Gustavo Uribe
Mariana Carneiro
FOLHA DE SÃO PAULO

O governo egípcio cancelou uma visita que o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, faria ao país árabe. O chanceler brasileiro desembarcaria na quarta-feira (7) e cumpriria uma agenda de compromissos entre os dias 8 e 11 de outubro.

Nesta segunda-feira (5), o governo brasileiro foi informado pelo Egito que a viagem teria que ser cancelada por mudança na agenda de autoridades do país. 

Não é comum no protocolo da diplomacia desmarcar viagens em cima da hora. 

Bandeiras de Israel e do Brasil na entrada da Embaixada do Brasil em Tel Aviv 
Jack Guez-28.out.2018/AFP

As autoridades do governo brasileiro temem que a medida seja uma retaliação às declarações recentes do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Ele disse que pretende reconhecer Jerusalém como capital de Israel e que irá transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para a cidade, o que tem desagradado a comunidade árabe.

Segundo relatos de diplomatas, a Liga dos Países Árabes enviou inclusive uma nota à embaixada brasileira no Cairo condenando as declarações do presidente eleito.

Juntos, os países árabes são o segundo maior comprador de proteína animal brasileira. Em 2017, as exportações somaram US$ 13,5 bilhões e o superávit para o Brasil foi de US$ 7,17 bilhões.

Para o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun, a mudança da embaixada pode abrir as portas para países concorrentes do Brasil no setor de proteína animal, como Turquia, Austrália e Argentina.

"Já tivemos ruídos com a [Operação] Carne Fraca e com a paralisação dos caminhoneiros, mas conseguimos superar. Temos a fidelidade dos países árabes", afirma. Para Hannun, porém, a questão da embaixada é algo muito mais forte e sensível.

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