Estudo do TCE conclui que municípios têm "campo" para aumentar arrecadação própria de impostos

Tribunal considera que gestores municipais são pouco efetivos e alguns têm a máquina ineficiente para arrecadar

Ayrton Maciel
Do jconline.ne10.uol
Valdecir Pascoal divulgou alerta feito, nesta quarta-feira (15), aos 184 municípios
recomendando esforço para aumentar arrecadação municipal
Acervo JC Imagem

O Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE)) expediu alerta aos 184 prefeitos do Estado, nesta quarta-feira (15), recomendando que as administrações cobrem os impostos da competência municipal para que possam incrementar a arrecadação tributária própria das prefeituras. Estudo do TCE, com base nas prestações de contas de 2014 e 2013 dos municípios, concluiu que há “campo” para o crescimento da receita sem precisar aumentar a carga tributária municipal.

O alerta do Tribunal visa a propiciar o aumento da receita decorrente do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), da Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação pública (Cosip), do Imposto Sobre Serviço (ISS), do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis Inter-Vivos (ITBI) e da Dívida Ativa Tributária. O conselho do TCE considera que os municípios podem ser “mais efetivos e eficientes” na arrecadação dos impostos, taxas e contribuições de sua competência, cumprindo o estabelecido na Lei de Responsabilidade Fiscal.

No estudo da Controladoria de Controle Externo, o TCE reconhece que a arrecadação das receitas próprias dos municípios cresceu 16,21% no ano passado, mas afirma que “ainda é pouco diante do potencial que as cidades podem alcançar”. A dedução de que “podem arrecadar mais” leva em conta, porém, o comparativo entre a arrecadação de 2014 da União (R$ 2,2 trilhões), de Pernambuco (R$ 28,2 bilhões) e dos municípios do Estado (R$ 17,8 bilhões), desconhecendo os efeitos da crise sobre os bens de produção, a população e o consumo.

O estudo do TCE argumenta que há potencial de incremento da receita própria, tomando como exemplos o fato de 53% dos 184 municípios terem arrecadado menos de R$ 2 por habitante de IPTU, em 2014, e quatro municípios não terem arrecadado nada desse imposto. Como agravante, 43 prefeituras (23% das 184) não arrecadaram o Cosip e a Dívida Ativa Tributária deixou de ser arrecada por 35 administrações municipais. O ISS, entretanto, foi o único imposto que apresentou tendência de crescimento da receita, mas arrecadações aproximadas entre municípios levaram o TCE concluir “ineficiência” da máquina arrecadadora.

Em 2014, o Recife foi o município que mais arrecadou, com R$ 1,5 bilhão, enquanto Brejinho, no Agreste, teve a menor arrecadação com R$ 285 mil. O estudo do TCE revela, ainda, as diferentes realidades dos municípios entre regiões do Estado quanto a receitas próprias sobre o total arrecadado. Se na Região Metropolitana do Recife a receita chegou a 27,78%, nas demais cidades o percentual médio de receita própria atingiu 7,65%. Em 2014, a diminuta participação das receitas próprias teve ainda uma queda em 41 municípios, dos quais 87% têm menos de 50 mil habitantes. 

O estudo apresenta, por outro lado, um outro dado que leva o TCE a acreditar que há potencial de crescimento da receita própria: é que a queda da arrecadação não ocorreu nos dez municípios com pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado. Em Caetés, surpreendeu: subiu 162,01%. “Os municípios estão deixando de cobrar ou estão cobrando aquém da potencialidade de contribuição local”, avaliou o presidente do TCE, Valdecir Pascoal, ao anunciar o alerta.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Multinacional portuguesa Politejo vai instalar nova fábrica em Pernambuco

Dispensa comentários

Em evento em alusão aos 19 anos da Lei Maria da Penha, Ingrid Zanella lança ações em defesa das mulheres