Marina ajuda a diminuir resistência a Lula, mostram pesquisas internas do PT

Partido identificou que eleitores indecisos, de Ciro e Simone se mostram mais sensíveis aos apelos da legenda quando são informados do apoio

Por Rafael Moraes Moura — Brasília
O GLOBO

Marina Silva (Rede) e Lula (PT) se cumprimentam em coletiva de imprensa em São Paulo na segunda-feira (12) Miguel Schincariol/AFP

O PT torce por uma "onda Marina" de apoios de última hora a Luiz Inácio Lula da Silva, apostando que a imagem de mulher ambientalista, evangélica e íntegra pode reforçar a candidatura do ex-presidente em pontos em que ele tem mais dificuldade.

Depois da declaração de apoio, o partido fez grupos focais com eleitores indecisos, de Ciro Gomes (PDT) e de Simone Tebet (MDB) – que na avaliação dos petistas, estão em jogo e serão decisivos para liquidar ou não a disputa no primeiro turno.

O partido identificou que, quando são informados do apoio de Marina a Lula, esses eleitores indecisos, de Ciro e Simone diminuem a resistência ao PT e se mostram mais sensíveis a ouvir os apelos do partido.

Como são pesquisas qualitativas, contratadas para testar discursos e estratégias, não há números ou índices de aceitação. Mas os resultados das discussões em grupos monitoradas pelos marqueteiros do partido nesta semana deixaram as lideranças do PT empolgadas.

De acordo com integrantes do núcleo duro da campanha de Lula, a adesão de Marina ajuda o ex-presidente da República inclusive no tema da corrupção, que Bolsonaro tem usado para aumentar a rejeição do adversário.

Marina, afinal, apoiou a operação Lava Jato e nunca negou o envolvimento do petista com o petrolão.

Portanto, para o PT, é como se a ex-ministra do Meio Ambiente, por ser uma política muito respeitada pelos eleitores, “emprestasse” sua credibilidade a Lula.

A reaproximação entre os dois também passa a imagem de uma “reconciliação nacional”. "Foi um golaço o apoio da Marina", comemora um interlocutor de Lula.

Já a postura beligerante de Ciro Gomes (PDT), avaliam petistas, pode fazer com que o pedetista saia destas eleições menor do que entrou – e leve à implosão da sigla de Leonel Brizola.

Os petistas torcem para que a dissidência aberta por pedetistas históricos do Rio de Janeiro, que já marcaram para o próximo dia 21 um ato de apoio a Lula, se espalhe espontaneamente no partido – mesmo que Ciro mantenha a candidatura.

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