Meu dia de Nazista, por Dário Gomes

Meu dia de Nazista

Era, aproximadamente o ano de 1973, em plena era da Ditadura militar, alguns acham melhor chamar de “Regime Militar”, até acho que esse ultimo é mais adequado, pois vivíamos em meio a um regime, regime de comida, de liberdade, de ação, e de muitas outras coisas, pois bem, lá estava eu com 10 anos de idade, estudando em uma Escola Estadual e, por aquele tempo, aprendi os hinos: Nacional, da bandeira, da República e ainda um hino que era uma paródia da musica natalina “Jingle Bell” em louvor ao dia 31 de março, com direito a desfile cívico e tudo mais.

Portanto foi assim: Folheando um livro de “História Geral”, conheci o Partido Nazista, sim, aquele mesmo, o de Hitler, mas o que me impressionou mesmo foi a suástica, uma cruz diferente, símbolo do Partido Nazista.

Segundo o dicionário de símbolos temos os seguintes significados para a suástica:

1. Símbolo religioso em forma de cruz cujas hastes têm as extremidades recurvas ou angulares (com a forma da letra grega maiúscula gama) e que, entre brâmanes e budistas, representava a felicidade, a boa sorte, a saudação ou a salvação; cruz gamada.

2. Essa mesma cruz, com os braços voltados para o lado direito, foi adotada como emblema oficial do III Reich e do Partido Nacional-Socialista alemão, e se tornou símbolo do nazismo; cruz gamada.


A nossa farda escolar era composta de uma camisa branca, calça azul Marinho, meias brancas e sapato vulcabrás preto, tinham que estar impecável, para podermos entrar na escola, nenhuma mancha, nada que pudesse destoar a bendita farda.

Mas a suástica era algo que me impressionou, se me perguntar, nem sei o porquê, coisa de menino mesmo, e eu havia aprendido desenhá-la, na verdade ela era até fácil de fazer, mas para mim foi uma proeza, consegui desenhar minha suástica, e para tristeza de quem quer que fosse, eu a desenhei na manga da camisa da escola. E, podem ter certeza, eu iria mostrar com todo orgulho minha arte. Não fosse a supervisão de minha mãe.

Imaginem vocês, em plena “Ditadura Militar” um filho de um operário chegar à escola com uma suástica desenhada no ombro, no mínimo meus pais seriam levados a uma delegacia, com certeza apanhariam, e depois, se pudessem provar que não tinham culpa alguma, talvez fossem libertados, mas para evitar o dito constrangimento, minha mãe resolveu a questão: Uma bela de uma correção, e depois, horas esfregando a manga da camisa para não deixar sequer um vestígio daquilo, que para mim seria uma obra de arte.

O resultado é que, em menos de um dia já havia me desconvertido ao partido de Hitler, o qual, na verdade, nunca apreciei. Aprendi a lição e nunca mais desejei desenhar coisas que não tivesse certeza do que realmente significava. 

Muitas crianças, em nossos dias estão usando ou participando de muitas coisas que , na verdade, nem sabem do que se trata ou do perigo que podem trazer, seja um símbolo, um ato ou costume, seja o que for, mas é da competência dos pais averiguar, fiscalizar mesmo e orientar os filhos acerca de determinadas coisas para que, num futuro próximo não venha a trazer um problema maior para si ou para toda a família.

Minha mãe , uma cristã , e meu pai, um homem trabalhador simples, também cristão, tinham muita convicção de suas raízes e, como todo pai que ama seus filhos, sempre nos corrigiram e nos mostraram o caminho a que deveríamos seguir, cumprindo assim a Palavra de Deus que diz:

Provérbios 22:6 – Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele.

Um abraço e até a próxima, se Deus permitir

*Dário Gomes de Araujo é Evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus e atual gestor na cidade São José do Egito.

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