O carro e o doutor, por Dário Gomes*

O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca. Lucas 6:45

As pessoas analisam umas as outras pela postura, modo de ser, tratamentos e algumas outras características. Por vezes se fazem julgamentos e estes podem ser precipitados ou não. Nossas atitudes refletem aquilo que somos.

Ao observarmos um ambiente, se sujo ou limpo, se arrumado ou desarrumado, se cheiroso ou não, logo temos a tendência em acharmos que a pessoa responsável seja tal qual o ambiente que vive e alguns costumes pessoais ou modo de agir podem ser reflexos de nosso interior , seja na ordem ou na desordem.

Pensando nesse assunto fiquei a imaginar nas coisas que fazemos em público, tais como: Andar, falar, dirigir, comprar, vender, enfim tudo que fazemos e que as pessoas ao nosso redor observam.

Quando saímos com o nosso veículo, estamos a vivenciar um pouco daquilo que somos e por conseguinte, a compartilhar com o nosso semelhante. O veículo pode ser uma extensão de nosso ser. Ao perdermos a paciência por coisas banais, quando xingamos o nosso semelhante num engarrafamento, estamos a mostrar um pouco da nossa educação. Quando ocupamos a vaga destinada a veículos que transportam pessoas com necessidades especiais, estamos a dizer para quem quiser saber que estamos pouco ligando para eles e que o que importa é resolvermos nosso próprio problema e os outros que se virem. Ao pararmos nosso veículo atravessado e não deixando passagem para os demais, mostramos que fomos criados como príncipes ou princesas e todos os demais são subordinados a nós, e eles não tem vontade ou querer, portanto devem esperar pela nossa boa vontade, para, quando quisermos, liberarmos a passagem. Ao avançarmos o sinal vermelho estamos a dizer da nossa irresponsabilidade e da nossa desobediência as leis de trânsito de nosso país. Quando ultrapassamos em locais proibidos nos fazemos de deuses como se a vida estivesse em nosso próprio poder. Ao estacionarmos sobre calçadas queremos dizer que somos donos do mundo.

No trânsito refletimos ao mundo aquilo que somos ou pensamos, também é um pouco do que somos em casa. Um carro mal estacionado pode ser reflexo do nosso desleixo ao deixarmos as coisas espalhadas e nunca arrumamos aquilo que desarrumamos, uma falta de educação no trânsito pode ser a forma tratamos os nossos cônjuges e os nossos filhos ou como enfrentamos os nossos problemas, também pode refletir a nossa incapacidade de resolvermos as coisas amigavelmente e como nos sentimos inseguros necessitamos resolver no grito.

Ao darmos uma propina a um agente de trânsito podemos refletir a nossa infidelidade nos negócios, e tem gente que faz isso e ainda tem coragem de chamar os políticos de “ladrões”.

É preciso ter uma melhor atenção ao sairmos de casa, no contato com o nosso próximo, deixamos marcas que expressam tudo que somos. 

Ouvi uma “história” de um doutor que saíra para os atendimentos em seu escritório, no caminho um idoso com seu velho carro estorvou-lhe a frente, ele muito irado emparelhou seu veículo ao lado do outro e nem se importou com a idade avançada do outro condutor e, como se diz, soltou o verbo. Mandou que tirasse aquela lata velha da estrada. De “alma lavada” chega ao escritório para os devidos atendimentos. De repente ele vê entrar na sua sala aquele ancião que, um pouco angustiado, conta ao doutor todo o ocorrido da manhã. diz: Doutor, esse mundo tá muito difícil, o senhor imagina que ao vir para cá, um motorista que vinha em seu carrão, me desrespeitou, me desacatou, quase bateu em mim, só porque meu carro é velho? Tenho certeza doutor que se todos tivessem a sua educação esse mundo seria bem melhor. O senhor não acha? E o velhinho ainda completou: E eu que só vim lhe agradecer pelo seu bom trabalho e trazer-lhe uma simples lembrança e lhe dar um abraço. O doutor cabisbaixo, nem ousou olhar de frente ao idoso, vermelho na sua vergonha, engoliu em seco. Abraçou-o e saiu.

Lembre-se disso: As tuas atitudes podem dizer muito quem você é. 

Um abraço e até a próxima, se Deus permitir.

*Dário Gomes de Araujo é Evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus e atual gestor na cidade de São José do Egito.

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