Quem não concorda com o PSB que tome um rumo, diz Paulo Câmara

Foto: Filipe Jordão/JC Imagem

Do Blog de Jamildo

O vice-presidente do PSB nacional e governador de Pernambuco, Paulo Câmara, afirmou que filiados ao partido que não estejam de acordo com as decisões da legenda devem procurar avaliar e tomar um rumo diferente. A declaração foi dada durante o lançamento do edital de licitação da Adutora de Serro Azul no Palácio Campo das Princesas, nesta terça-feira (17).

“O PSB não concorda com a forma que o governo está sendo conduzido no âmbito federal. Então nós somos oposição e cabe as pessoas que não concordem com isso fazer uma avaliação e verem um rumo que querem tomar”, disse o governador de Pernambuco. Paulo Câmara ainda enfatizou que o partido “não pode concordar que filiados queiram insistir em continuar” apoiando o governo de Temer.

A declaração foi dada um dia após a reunião do diretório nacional do PSB que poderia expulsar ou não o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho (PE), a líder do partido na Câmara dos Deputados, Tereza Cristina (PSB-MS), dos deputados Danilo Forte (CE) e Fabio Faria (MT). Nessa segunda-feira (16), horas antes da reunião do diretório, os deputados conseguiram na Justiça suspender o processo de expulsão. 

Os parlamentares fazem parte da ala “rebelde” do PSB, mais alinhada do governo Michel Temer (PMDB). Em seu reposicionamento à esquerda, o partido abriu fogo contra o grupo de 14 parlamentares, que foi muito cortejado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e até mesmo por Temer.

O socialista destacou a importância que os integrantes entendam que “têm que concordar” com as decisões tomadas pelo partido. “É muito importante que todas as pessoas que são filiadas ao PSB entendam que tem que concordar e tem que ter a visão do partido como todo”, disse. Segundo Paulo Câmara, haverá outra reunião com diretório nacional do PSB no próximo dia 27 para analisar o processo, às 9h, em Brasília.

O governador também não deixou de criticar o presidente Temer e afirmou que o governo peemedebista se preocupa mais com a sobrevivência política do que o bem-estar da população. “Não tem priorizado aquilo que é fundamental, os estados mais pobres e nem as políticas públicas que cheguem a todos.E tudo isso nos preocupa; o PSB é uma voz crítica”, declarou. 

Não é a primeira vez que o governador de Pernambuco vem fazendo críticas ao governo peemedebista. Durante uma entrevista à Rádio Jornal no último dia 5, Paulo Câmara acusou Temer de não dialogar com ele. “Está cada dia mais difícil ter respostas”, afirmou. O governador reclamou de não ter recebido resposta para a carta enviada pelos noves gestores do Nordeste questionando a privatização da Eletrobrás e, consequentemente, da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). “Mostre que a gente está errado. Nem isso tem”, afirmou.

Outro motivo de reclamação, para o socialista, é com a autonomia do Porto de Suape, que seria dada a Pernambuco em abril, mas, por causa de dois adiamentos de viagens do peemedebista ao Estado – uma devido à votação da reforma trabalhista e outra pela repercussão da delação de Joesley Batista -, é aguardada para este mês.

Após a assinatura do decreto pelo peemedebista, o Estado terá competência para a condução de estudos, a elaboração dos editais, a realização dos procedimentos licitatórios e a celebração dos contratos relativos aos arrendamentos portuários. Essas responsabilidades eram da União desde 2013, quando Dilma Rousseff (PT) sancionou a Lei dos Portos, o que, para a administração local, criava entraves ao desenvolvimento do terminal portuário.

O presidente Temer hoje articula com a base aliada na Câmara uma reação à segunda denúncia apresentada contra ele, por organização criminosa e obstrução de Justiça. Temer foi acusado pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot de ser “chefe” do suposto “quadrilhão do PMDB” em 2016. Além dele, são acusados caciques do partido, incluindo os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).

A denúncia aponta que o suposto esquema gerou pelo menos R$ 587 milhões de propina por ações ilícitas através de órgãos como Petrobras, Furnas, Caixa Econômica Federal, Ministério da Integração Nacional e Câmara dos Deputados. As novas acusações também têm como base a delação de Joesley Batista, mas tem ainda como elementos depoimentos de Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB, e elementos colhidos pela Polícia Federal em investigação sobre o chamado “quadrilhão” do partido. A defesa de Temer rechaça as acusações.

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