POR QUE PRECISAMOS TANTO DAS ÁGUAS DO SÃO FRANCISCO ?



TAQUARITINGA DO NORTE E O POLÍGONO DA SECA

Com 89% do seu território localizado no Polígono das Secas, Pernambuco possui climas entre o Tropical, semi-árido e o mesotérmico. O Agreste é a microrregião pernambucana que mais se encontra estâncias climáticas, entre elas Taquaritinga do Norte, cidade com um clima mais ameno de Pernambuco. A previsão da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) para o ano de 2017 será menos severo que seu antecessor, mas, ainda assim, capaz de trazer profundos transtornos. Taquaritinga do Norte é apenas um dos 126 municípios em estado de emergência por conta da seca, segundo a Casa Militar de Pernambuco. E nem chega a ser o pior dos cenários: Mais de 30 cidades já entraram em colapso de abastecimento, enquanto 37, estão em pré-colapso, de acorde com a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).

O acumulado médio nos primeiros cinco meses de 2017 em Taquaritinga do Norte foi de 254,9 milímetros de chuva. Segundo a Apac, ainda que não se pode afirmar ao certo quanto choverá, é certo que a região terá consideráveis milímetros a menos. Em comparação ao mesmo período do ano passado, que foi de 374,1 (mm), uma diferença de 119,2 (mm) a mais. Uma análise mas detalhada dos meses em questão teremos um quadro assim: 

- 2016 Janeiro : 90,0 | 2017 Janeiro: 0,0 - Fevereiro: 42,0 | Fevereiro: 65,0 - Março: 133,1 | Março: 0,0 - Abril: 63,0 | Abril: 108,9 - Maio: 46,0 | Maio: 81,0 - 374,1 254,9

Quando afirmamos que as chuvas serão abaixo da média histórica, significa que choverá, no máximo, 20% menos que o habitual. Isso significa que o cenário pessimista dá continuidade a um 2016 que deixou marcas.

De acordo com o presidente da Compesa, Roberto Tavares, o Agreste é a região mais afetada e enfrenta a pior seca em um século. "No Agreste, são mais de 50 cidades em colapso ou pré-colapso. Somente a barragem de Jucazinho - que secou - deixou de abastecer 15 municípios.

Em Taquaritinga do Norte, os meses de Abril acumulou 108,9 (mm) e Maio com 81,0 (mm) de chuva, período diferenciado ao mesmo mês do ano passado que foi de 63,0 em Abril e 46,0 (mm) em Maio. A população agradece pela constância nesse período. O mês de Maio, foi seguido de períodos chuvosos e secos como nos dias 3,4,5,6 e 7 equivalente há 34 (mm), passando 13 dias sem índice de chuva, voltando nos dias 21 e 22 com 21 (mm), dia 23 e 24 com ausência e nos dias 25 e 26 acumulou 26 (mm) conseqüência agradável ao clima e a toda população do município.

. Possibilidades realistas apontam para o predomínio da seca até o final da década de 2020, início de 2030. O professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Ranyére Nóbrega destaca que vários estudos comprovam a existência de ciclos climáticos. São oscilações entre 15 e 20 anos de duração que variam entre períodos de chuva e seca.

“Não significa que em duas décadas teremos apenas seca, mas sim, a predominância. Tudo indica que estamos em meio a um ciclo de seca e ele pode durar até meados de 2030, 2031, já que o ciclo de seca que vivemos teve início em 2011”, afirma. Ele explica que antes do ciclo atual de seca, nós vivemos um período favorável climaticamente, que durou entre o final da década de 1990 e 2010. O problema, no entanto, é que a deterioração ocasionada pela falta de chuvas não leva o mesmo tempo para ser corrigida com a sua incidência. Os efeitos da seca perduram por muitos anos após a diminuição da sua intensidade.

“Uma seca de seis anos como a vigente vai levar muito mais que isso para que seja superada. Chuvas acima da média por dois anos consecutivos podem ajudar na recuperação de barragens, mas há muito mais que isso. E o previsto para 2017 não é uma mudança de cenário, mas a continuação”, ressalta. O cenário, mesmo distante, que dialoga com uma vida digna para quem vive imerso na seca é o fim da dependência excessiva das chuvas. “Temos que ter a continuidade e conclusão de obras, como a transposição do São Francisco que já é realidade e a Adutora do Agreste, essa em andamento, pois a situação é de extrema dificuldade e a água não virá por milagre”.

A Oscilação Decadal do Pacífico ou simplesmente ODP é um fenômeno climático responsável por mudanças climáticas duradouras. Se assemelha ao El Niño e La Niña, mas enquanto estes duram até 18 meses, o ODP pode durar até 20 anos. A oscilação é marcada por duas fases bem definidas. A chamada ODP positiva, traz a seca, enquanto a ODP negativa aumenta a umidade e gera a ocorrência de chuvas. Atualmente, vivemos uma ODP positiva.

Colaboração: Climaspe Pernambuco, João Vitor Pascoal
Da redação da TV Serrana - Lindbergh Macêdo

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