O Brasil depois da greve geral, por LEONARDO ATTUCH*



A semana foi farta em más notícias para o governo Temer. No Congresso, a votação da reforma trabalhista, que ainda pode ser barrada no Senado, mostrou que o Palácio do Planalto não tem os 308 votos necessários para as mudanças na Previdência. Na economia, março trouxe o maior rombo fiscal da história e uma nova alta do desemprego, numa demonstração cabal de que não há retomada alguma da atividade. Nas ruas, a greve geral, que teve a adesão de diversas categorias, indica que a paciência dos brasileiros chegou ao limite – o que também foi captado pela pesquisa Ipsos, que mostrou aprovação de apenas 4% a Michel Temer. Se isso não bastasse, 92% apontaram que o Brasil segue no caminho errado.

Todos esses indicadores deveriam ser suficientes para que o Brasil buscasse saídas para a enrascada em que se meteu. Um esboço disso foi apresentado na última quinta-feira, com o Projeto Brasil Nação, liderado pelo professor Luiz Carlos Bresser Pereira e apoiado por diversos intelectuais. O texto aponta que, com Temer, promove-se o maior desmonte já visto no Brasil não apenas de direitos e garantias sociais, como também das próprias empresas nacionais, num projeto de submissão do País a interesses internacionais.

Concorde-se ou não com as ideias de Bresser Pereira, ao menos há um esforço para aglutinar pensadores em torno de uma saída. O que já não é mais aceitável é ignorar que o Brasil sofre o maior processo de autodestruição a que uma nação já se submeteu e, ainda, que o projeto político representado por Temer já se esgotou ou está muito perto disso.

A grande questão, para as forças que o apoiaram, é como empurrar esse projeto até 2018. Em maio, por exemplo, já será possível saber a reforma da Previdência será ou não aprovada. Depois disso, qual será a serventia de um governo rejeitado pela ampla maioria da população? Sua manutenção apenas postergará a agonia brasileira, trazendo prejuízos políticos inclusive para as forças que o apoiam, como já se pode notar nas taxas de rejeição aos principais nomes do PSDB.

Quem já percebeu o risco e sacou uma boa proposta foi o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), que passou a defender eleições imediatas não apenas para a presidência da República, como também para o Congresso – o que significa que ele próprio renunciaria ao atual mandato. Caiado argumenta, com razão, que os brasileiros já não se veem mais representados na classe política e que só as urnas poderão pacificar o País. Hoje, a continuidade de Temer favorece apenas a oposição, que ganha novos argumentos a cada dia para denunciar os reais motivos por trás da deposição de Dilma Rousseff.

Para um país conflagrado como o Brasil de hoje, a única saída é a reconquista da democracia, com eleições gerais e um novo pacto político. Até porque reformas econômicas, como as que Temer vêm tentando impor, só poderão ser aprovadas por um governo visto como legítimo pela população.

*Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247, além de colunista das revistas Istoé e Nordeste
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