Lava Jato propõe que Marcelo Odebrecht fique 4 anos preso

Paulo Lisboa/Folhapres

MARINA DIAS
DA FOLHA DE SÃO PAULO

BRASÍLIA - Na negociação de delação premiada, os investigadores da Operação Lava Jato apresentaram proposta para que o ex-presidente e herdeiro do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, cumpra pena de quatro anos em regime fechado por sua atuação no esquema de desvios da Petrobras.

Segundo a Folha apurou, a Procuradoria-Geral da República entregou envelope fechado com a pena aos advogados da empreiteira na segunda-feira (3) em Brasília.

Desses quatro anos, um e quatro meses seriam abatidos por já terem sido cumpridos pelo executivo, preso desde junho de 2015 em Curitiba.

A defesa de Odebrecht, porém, vai tentar reduzir a punição, alegando que é muito rígida diante do conteúdo apresentando pelo empresário em seu roteiro para fechar a delação premiada.

Além de Odebrecht, outros executivos da empreiteira receberam propostas de pena em troca de colaboração. A empresa tenta aprovar acordo de delação para mais de 50 executivos do grupo, entre eles, o ex-presidente.

Uma multa bilionária também está sendo negociada. O valor deve ser bem superior aos fechados em acordo com a Andrade Gutierrez, de R$ 1 bilhão, e a Camargo Corrêa, de R$ 700 milhões.

A expectativa dos envolvidos é que os acordos de pena e leniência sejam assinados em duas semanas e homologados pela Justiça até o final do mês de novembro.

Em março deste ano, o juiz Sergio Moro, que conduz a Lava Jato na Justiça Federal, condenou Marcelo Odebrecht a 19 anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Entre os benefícios para o empreiteiro fechar uma delação premiada estaria, justamente, a redução dessa pena.

Desde que iniciou as conversas para fechar a colaboração com a Justiça, o ex-presidente da Odebrecht já se reuniu com integrantes da força-tarefa da operação pelo menos três vezes, em encontros que duraram mais de cinco horas cada um.

Neles, deu detalhes sobre o funcionamento do esquema montado entre a empresa, políticos e funcionários da Petrobras, resultando em um anexo de mais de 90 páginas.

O desejo da defesa é que o executivo deixe a prisão em Curitiba assim que o acordo de delação for homologado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato do STF (Supremo Tribunal Federal).

Pelos planos da Odebrecht, Marcelo estaria solto para passar as festas de fim de ano com sua família. Mas, diante da proposta de pena de quatro anos, os advogados querem que o executivo tenha, ao menos, o direito de passar o Natal em casa.

A delação da Odebrecht é uma das mais aguardadas pela força-tarefa da Lava Jato. Nas conversas preliminares, políticos de vários partidos foram mencionados, entre eles os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, o presidente Michel Temer, o tucano José Serra (ministro de Relações Exteriores), governadores e parlamentares. Todos negam irregularidades.

PENAS ALTAS

Pessoas com acesso às investigações relatam, contudo, que as propostas de penas feitas aos executivos da Odebrecht foram consideradas "muito altas" para a atuação dos funcionários.

Um executivo com atuação vista como "periférica", por exemplo, recebeu proposta para cumprir dois anos em regime domiciliar fechado, seguidos de mais dois em regime domiciliar semiaberto.

A Odebrecht e a PGR não se manifestam publicamente sobre o assunto, tratado sigilosamente.

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