Ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha é preso em Brasília

Sérgio Moro decreta prisão após MPF alegar risco à investigação e possibilidade de fuga

POR THIAGO HERDY / JAÍLTON DE CARVALHO
do Globo

O deputado cassado Eduardo Cunha - Eraldo Peres / AP / 12-9-2016

BRASÍLIA E SÃO PAULO — O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi preso nesta quarta-feira em Brasília. A prisão foi determinada pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato na primeira instância da Justiça em Curitiba, após pedido do Ministério Público Federal (MPF). O pedido é de previsão preventiva, ou seja, por tempo indeterminado.

Cunha foi preso no início da tarde e embarcou para Curitiba por volta das 15h. Ele está sendo levado em um jato Embraer 145. A previsão é de chegar à capital paranaense às 16h30m.


O MPF justificou o pedido de prisão dizendo que Cunha representa riscos à investigação, à ordem pública e à aplicação da lei penal. Os procuradores pediram também a apreensão de oito veículos do deputado cassado, mas o juiz Sérgio Moro determinou apenas o bloqueio dos automóveis, que não poderão ser vendidos. No pedido, os procuradores revelaram ainda que Cunha foi alvo, em junho, de um pedido de bloqueio de R$ 220 milhões em suas contas no Brasil. No entanto, as contas estavam zeradas.

CUNHA TINHA MALAS PRONTAS E NÃO REAGIU À PRISÃO

Antes de encontrar Eduardo Cunha em Brasília, a Polícia Federal tentou prendê-lo em sua casa na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, durante a manhã desta quarta. A informação foi publicada pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim.

Após não encontrá-lo, os agentes da PF foram ao apartamento funcional que ele ainda ocupava na Asa Sul, em Brasília. Eduardo Cunha já tinha uma mala preparada para uma eventual prisão.

Cunha não teve nenhuma reação à prisão. Ele estava na companhia de um de seus advogados. Um outro advogado do ex-presidente da Câmara reclamou da prisão:

— É um absurdo. O Supremo (Federal Tribunal) ficou com o pedido de prisão por quatro meses e não decretou. Desde então, não há fato novo — disse Pedro Velloso.

Cunha é levado preso, sem algemas, na base aérea de Brasília para tomar avião da PF rumo a Curitiba - André Coelho / Agência O Globo / 19-10-2016

MPF APONTA RISCO À INVESTIGAÇÃO E POSSIBILIDADE DE FUGA

Ao pedir a prisão de Eduardo Cunha, o MPF não apresentou novos elementos de prova contra o ex-deputado, além do que já foi tornado público em investigações anteriores. O MPF alegou que a liberdade de Cunha representa riscos à investigação, à ordem pública e à aplicação da lei penal. Os procuradores justificaram o pedido afirmando que Cunha possui recursos ocultos no exterior à sua disposição, além de ter nacionalidade brasileira e italiana.

O MPF lembrou dez atos realizados por Cunha para obter propina no período em que ainda era deputado federal. Citou a apresentação de requerimentos no Tribunal de Contas da União (TCU) e na Câmara sobre a empresa Mitsui para forçar o lobista Julio Camargo a pagá-lo vantagens indevidas. Mencionou também a apresentação de requerimentos contra o grupo Schahin, cujos acionistas eram inimigos pessoais do ex-deputado e do seu operador, Lucio Funaro.

O procuradores citaram ainda medidas para atrapalhar investigações no curso da Lava-Jato. Uma delas foi a convocação pela CPI da Petrobras da advogada Beatriz Catta Preta, que atuou como defensora de Julio Camargo. Outra foi a contratação da Kroll pela CPI da Petrobras, cujo propósito seria, no entendimento dos procuradores, “tirar a credibilidade de colaboradores da Operação Lava Jato”.

O MPF também mencionou pedido feito por parlamentares ligados a Cunha de quebra de sigilo de parentes de AlbertoYoussef, o primeiro colaborador a delatar o ex-deputado; a apresentação de projeto de lei que previa que colaboradores não pudessem corrigir seus depoimentos; e a demissão do servidor de informática da Câmara que forneceu provas evidenciando que os requerimentos para pressionar a empresa Mitsui foram elaborados pelo próprio Cunha.

MORO CITA CONTAS NÃO IDENTIFICADAS NO EXTERIOR

O juiz Sérgio Moro aceitou os argumentos dos procuradores, mencionando, em despacho, o empenho do ex-deputado para obstar o próprio processo de cassação na Câmara.

“Os episódios incluem encerramento indevido de sessões do Conselho de Ética, falta de disponibilização de local para reunião do Conselho e até mesmo ameaça sofrida pelo relator do processo”, escreveu Moro.

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