Edir Macedo descalço no Planalto

Por ALEX SOLNIK*


Perguntaram a Boris Casoy se aceitaria voltar a trabalhar na TV Record. "Enquanto for controlada pela Igreja Universal, não. A Igreja Universal tem um projeto de poder com o qual não quero colaborar". Na Folha de hoje.

O primeiro namoro do fundador da Iurd, Edir Macedo com o mundo político deu-se na campanha de Fernando Collor à presidência da República, em 1989.

Collor procurava cooptar o "bispo" já então um grande cabo eleitoral, que, no entanto, fugia aos acenos.

Em dado momento, eles sentaram para conversar. O diálogo ocorreu na Casa da Dinda, segundo testemunhas.

O candidato perguntou claramente a Edir o que ele queria em troca de seu valioso apoio.

"Quero fazer a missa da sua posse" propôs o líder da Universal.

Collor topou, mas às vésperas da vitória teve que contar a Macedo que não poderia cumprir a promessa.

Fora, evidentemente, alertado por seus correligionários: se a cumprisse compraria uma briga eterna com a Igreja Católica.

Mas estava disposto a manter relacionamento próximo a Macedo. O primeiro gesto foi convidá-lo pessoalmente para a cerimônia de posse.

Macedo não ficou magoado. Compareceu ao Palácio do Planalto em companhia de sua mulher e de mais dois casais amigos.

A certa altura, um de seus amigos reparou que o "bispo" havia tirado os sapatos e as meias, pisava de pés descalços o chão do palácio.

Sem entender o que estava acontecendo, perguntou:

"Por que está descalço, bispo"?

"É porque... quando você quer se apossar de uma coisa tem que pisar nela com os pés descalços".

"Quer dizer que o senhor pretende ser presidente da República"? retrucou o amigo.

Macedo fechou-se em copas.

De lá para cá seu progresso na política foi notável. Fundou um partido, o PRB que, com 21 deputados federais é a 10ª força política do país, à frente de partidos tradicionais como PV, PDT, PPS e PCdoB. Tem ainda 32 deputados estaduais. Elegeu 104 prefeitos nessas eleições (tinha 79), concorreu com relativo sucesso à prefeitura de São Paulo, com Celso Russomano (o deputado federal mais votado) e está elegendo o prefeito da segunda maior cidade e cartão postal do Brasil.

Marcelo Crivella, além de bispo da Universal é sobrinho de Edir Macedo.

Eis aí um trampolim para pular de pés descalços na piscina do palácio.

*Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão", "O domador de sonhos" e "Dragonfly" (lançamento setembro 2016).

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