‘Governo quer abafar a Lava Jato’, diz à revista ministro demitido



Demitido nessa sexta-feira (9) do cargo de chefe da AGU (Advocacia-Geral da União), o ex-ministro Fabio Medina Osório afirmou que o governo de Michel Temer “quer abafar a Lava Jato” e tem “muito receio” de até onde a investigação sobre o esquema de corrupção na Petrobras possa chegar.

As declarações de Osório foram dadas à revista “Veja” na edição que começou a circular neste sábado (10). O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, justificou a demissão alegando que Osório não atuava em compasso com o governo Temer.

Osório foi demitido do cargo nesta sexta-feira, 9, e atribuiu a exoneração à suposta insatisfação do governo com medidas tomadas pela AGU contra políticos investigados na Lava Jato, incluindo parlamentares aliados do presidente Michel Temer. Sua exoneração foi definida horas depois de Medina cobrar de sua equipe agilidade nas providências para ajuizar ações de improbidade administrativa contra responsáveis por desvios na Petrobras.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a intenção de Osório era mover ações de improbidade e ressarcimento contra esses políticos, assim como a AGU fizera com as empreiteiras acusadas de envolvimento no petrolão. “Não tenho dúvida [de que sua demissão está ligada a esse episódio]. Fui demitido porque contrariei muitos interesses. O governo quer abafar a Lava Jato. Tem muito receio de até onde a Lava Jato pode chegar”, disse o ex-ministro à revista.

Segundo ele, a “AGU tem a obrigação de buscar a responsabilização de agentes públicos que lesam os cofres federais”. Entre os políticos cujo acesso aos inquéritos foram autorizados pelo STF estão o do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente do PMDB Valdir Raupp (RO).

OUTRO LADO

As declarações de Fábio Medina Osório “atestam o total desconhecimento das rotinas e procedimentos internos da instituição”, segundo nota enviada neste sábado, 10, pela assessoria da AGU. O texto destaca que a defesa do erário e o combate à corrupção “é e continuará sendo sua principal missão”.

“As atividades institucionais continuarão pautadas pelos mais elevados princípios constitucionais que norteiam a Administração Pública”, diz a nota, já sob condução da ministra Grace Mendonça.

Com informações da Agência Estado e do jornal Folha de S. Paulo

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