Qual a cor do sofrimento?, por Dario Gomes

Dario Gomes
Conta-se uma estória em que dois jovens se encontraram, em uma das esquinas da vida, um do oriente e outro do ocidente, e começaram a discutir acerca do luto, tudo porque cada um defendia a cor que se devia sofrer nessas ocasiões.

O jovem do oriente reclamava que a cor a ser usada devia ser branca, enquanto que, o do ocidente, defendia que a mesma devia ser o preto.

Depois de muita discussão e nada de chegar a um consenso, e os dois já bastante enfadados viram, se aproximando, um senhor de idade avançada que, escutando o teor da discussão, meneou a cabeça em sinal de desaprovação e disse:

- Coitados, ainda estão a discutir com qual cor se deve sofrer.

Qual a cor do sofrimento?

Sofrimento não é coisa palpável, tampouco algo que se vê, não é objeto, roupa ou artigo de loja. Sofrimento é sentimento, e sentimento se percebe seja por expressões no rosto ou atitudes de quem sente. 

Muitas pessoas se preocupam com a sociedade e com o que ela vai pensar ou falar, tentam passar aos outros, através da roupa, da cor, dos óculos escuros, um sentimento que nunca existiu, e até conseguem êxito. Mas, infelizmente, de nada tem valor, nem para quem faz e muito menos para que partiu.

Desde os antigos tempos existiam as carpideiras, mulheres que eram assalariadas para chorarem nos enterros de pessoas que, por algum motivo, não tinham quem os lamentassem. Essas mulheres faziam o maior alarde em choros e prantos, as mais profissionais chegavam a desmaiar de emoção, mas sentimento de verdade, não existia. Ganhavam para chorar, talvez até chorassem de verdade se, ao final do trabalho, não recebessem o devido pagamento. A bíblia fala dessas profissionais do choro e do sentimento em Jeremias 9:17. 

Sobretudo, o verdadeiro sentimento não está na apresentação, seja cor da roupa ou qualquer outro artifício, porque é impossível esconder o que realmente sentimos. Nesse caso a cor é só um detalhe.

Na bíblia encontramos uma mulher que teve seus filhos mortos por enforcamento e ela ficou seis meses, aproximadamente, morando sobre uma rocha e enxotando as aves de rapina e os animais que queriam comer os cadáveres pendurados, pois ela não tinha autorização para os enterrar, até que veio a ordem para assim proceder. Imaginemos a dor da aflição daquela mulher. Uma dor sem cor. E por mais que alguém quisesse expressar o que ela sentia, e por mais que tentasse, nunca conseguiria. 

II Samuel 21:8-10

Mas tomou o rei os dois filhos de Rispa, filha da Aiá, que tinha tido de Saul, a Armoni e a Mefibosete; como também os cinco filhos da irmã de Mical, filha de Saul, que tivera de Adriel, filho de Barzilai, meolatita, e os entregou na mão dos gibeonitas, os quais os enforcaram no monte, perante o Senhor; e caíram estes sete juntamente; e foram mortos nos dias da sega, nos dias primeiros, no princípio da sega das cevadas. Então Rispa, filha de Aiá, tomou um pano de cilício, e estendeu-lho sobre uma penha, desde o princípio da sega até que a água do céu caiu sobre eles; e não deixou as aves do céu pousar sobre eles de dia, nem os animais do campo de noite. 

Sentimento é algo que está dentro, impossível negar, impossível de se livrar, está no âmago da alma, está dentro e salta para fora em prantos e angústias que vem do coração, no mais íntimo sentimento humano.

A experiência de uma vida vivida mostra a todos que é tolice expressar sentimentos de branco ou preto. Pureza representada por cor, é somente cor da pureza, porque cores são usadas para marketing pessoal, para mostrar a outros a nossa situação ou condição e serve para promoção de nosso ego, ainda que em situação contrária. Sentimento não precisa disso. 

O sentimento está dentro de cada um de nós e ele não tem cor.

Um abraço e até a próxima, se Deus permitir.

*Dário Gomes de Araujo é Evangelista da Igreja Assembleia de Deus e atualmente é gestor na cidade de São José do Egito

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